Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Os croatas e a curiosa história da gravata


Rei Luís XIV, da França, foi um dos difusores "de la cravate" no século XVII


Muitas conquistas da humanidade com o tempo caíram no esquecimento, mas algumas, embora não mencionadas nos livros de história não dependeram deles para entrarem na cultura global. Os croatas alcançaram uma conquista semelhante no século 17, e as consequências desta conquista ainda estão presentes no mundo inteiro. Sua influência na vida diária de 600 milhões de pessoas se encontra ao redor de seus pescoços, entre uma camisa e um paletó, vestindo um símbolo universal de uma nação, como um abraço de um amigo: a gravata.
No livro "La grande Historie de la  Cravate" (Flamarion, Paris, 1994), Francoise Chaile nos conta sobre os aspectos deste ícone da moda e sua posterior difusão: "(...) Por volta do ano de 1635, um grupo de 6 mil soldados e cavaleiros vieram a Paris manifestar seu apoio a Luis XIII e Richelieu. Entre eles havia um grande número de mercenários croatas que, separados pelo exílio, permaneceram a serviço do rei Francês. (...) O uniforme tradicional destes Croatas despertavam a atenção pelo curioso xale amarrado de uma maneira muito exclusiva ao redor de seus pescoços. Os xales eram feitos de vários tecidos, desde os grosseiros tecidos usados pelos soldados ao fino algodão e a seda dos oficiais. A elegante "moda Croata" imediatamente conquistou a França, que regalou-se por este novo item de moda, o qual era, até então completamente desconhecido na Europa"
A indumentária, usada tanto por homens quanto por mulheres, recebeu o nome de cravate, que significa "croata" em francês . A partir de então, toda a corte francesa (que há 4 séculos atrás já eram lançadores de moda), e inclusive o próprio rei Luís XIV, passaram a usar a gravata habitualmente. No século XVII, o assessório era feito de tiras de tecido (geralmente linho branco muito bem engomado) enroladas no pescoço formando uma cascata na frente. A extremidade era enfeitada com rendas e pregas.

Dos dândis a difusão

Após a Revolução Francesa, a moda masculina ficou mais sóbria e vários elementos caíram. Mas a gravata continuou forte. E no começo do século XIX, o inglês Bryan Brummel criou um novo estilo que reforçou o símbolo de poder das 'cravatas': o dândi.  Marcadas pela sobriedade, as roupas dândis não levavam acessórios, jóias ou bordados. Além de calça comprida, colete e casaco, os dândis usavam uma gola alta com um lenço com nós sofisticados.
Segundo uma reportagem da revista americana "Forbes", nos anos 1800, se um homem tocasse o lenço no pescoço de outro a ofensa era tanta que poderia acabar em duelo. Ainda de acordo com a "Forbes", a gravata moderna (longa e distinta, como a utilizada em conjunto com os ternos hoje em dia) surgiu em 1860, quando se começou a amarrar o lenço como os nós das rédeas de carruagens de quatro cavalos - o hoje chamado 'nó simples'.
Embora as variações no estilo tenham mudado ao longo do tempo, a gravata sempre foi símbolo de poder e de respeito. "Os Exércitos do século XVII eram compostos de nobres. O lenço no pescoço sempre simbolizou status e formalidade. Até hoje ela é usada em ocasiões formais."  indica Miti Shitara, professora de história da moda da faculdade Santa Marcelina, ao site G1.
A própria Miti Shitara reconhece a importância dos croatas na difusão da gravata, mas complementa dizendo que sua história remete há milênios atrás: há registros de uso de lenços no pescoço por soldados chineses ainda no século III A.C. , e também entre o Exército da Roma Antiga, como sudário. "O lenço protegia não só do calor, mas também servia para estancar sangue e limpar a boca, por exemplo."
Hoje representante da masculinidade, a gravata mudou de formas algumas vezes durante o século XX. "Na década de 1930, na época de recessão econômica, as gravatas ficaram largas, os ombros cresceram, e as lapelas também. Pode-se interpretar como um contraponto de uma fragilidade em que o homem precisa se tornar forte. Na década de 1970 aconteceu algo parecido. Não me surpreenderei se agora, em meio a essa crise, uma gravata mais larga voltar a aparecer", explica a professora Shitara.


sábado, 9 de junho de 2012

O paradoxo da Libéria: quando os escravos se tornam os escravizadores



Charles Taylor, um corrupto ditador assassino, traficante de armas, estuprador e escravizador, foi presidente da Libéria. Recentemente, tornou-se também o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um tribunal internacional. Mas o cerne desta matéria não será o cruel Charles Taylor, mas sim seu pobre e explorado país, a Libéria, mais um dos miseráveis países africanos que muita gente nem sabe que existe. Porém, a Libéria conta com uma história peculiar em sua colonização, realizada no século 19 por escravos libertos dos Estados Unidos, que foram enviados por seus antigos patrões de volta ao continente de origem dos seus ancestrais. Mas não vou me estender mais, e se você quer saber mais sobre a Liberia, leia a matéria abaixo.



Os diamantes de sangue de Charles Taylor, ou a Libéria na mídia internacional

O Tribunal Especial de Serra Leoa condenou em maio o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, por fornecer armas aos rebeldes de Serra Leoa em troca de diamantes, e por ter se tornado cúmplice de crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos durante a guerra civil no país africano, entre 1991 e 2003. Com 64 anos, Taylor, foi o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um tribunal internacional, e colocou a Libéria nos holofortes da mídia mundial.
Charles Taylor assumiu o poder na Libéria no Natal de 1989, após torturar, mutilar e assassinar o seu antigo aliado, Samuel Doe, então presidente do país. A tortura foi filmada e mostrada em noticiários em todo o mundo. O vídeo mostra Johnson bebendo uma Budweiser enquanto corta a orelha de Doe.
Por parte da Serra Leoa (país vizinho da Libéria), são muitas as denúncias contra o ex-ditador, que vão de assassinatos, estupros de meninas e mulheres ao recrutamento de crianças-soldado, que também eram tratados como escravos para extrair diamantes. "Muitas mutilações e violações a mulheres eram cometidas em público, e houve até pessoas queimadas vivas em suas casas", ressaltou o juiz responsável pelo caso, Richard Lussick, como exemplos das atrocidades cometidas em Serra Leoa. O conflito civil que assolou Serra Leoa entre 1991 e 2002 gerou mais de 100 mil vítimas, entre elas uma multidão de mutilados e 50 mil mortos. Mas essa matéria não irá falar da mutilada Serra Leoa (embora a realidade do pobre país mereça ser melhor conhecida).


Os escravos estão livres, mas como nos livrar deles? Vamos mandá-los para a África!

A Libéria é mais um pais miserável da África Ocidental. Foi fundada por seis mil negros norte-americanos, trazidos para a África em 1821 por ação da Sociedade Americana de Colonização (ACS, na sigla em inglês). Tratavam-se de negros que tinham sido libertos da escravatura, e que ganharam a área de presente de seus antigos patrões para que assim pudessem viver na terra de seus ancestrais. Os brancos não faziam isso por caridade, mas sim para expulsar dos EUA os negros recém-libertos da escravidão, já que estes (por “seus instintos selvagens”) não conseguiriam se adequar a uma sociedade livre norte-americana. O regresso à África seria uma solução para evitar certos "perigos" imaginados como resultado da presença negra, como o casamento interracial ou a criminalidade.
Guiados pela Sociedade Americana de Colonização, os primeiros escravos libertos aportaram na costa da Monróvia (hoje capital do país) onde fixaram sua colônia. Deram o nome de Libéria (“Terra Livre”, em latim) ao seu novo lar. A princípio, a administração do novo país foi entregue a representantes escolhidos pela própria ACS. Mas, com o crescimento populacional e o progressivo alargamento do território, começaram a surgir lideranças locais entre os ex-escravos.
Na expectativa de aumentar as áreas cultiváveis, os antigos escravos norte americanos passaram a adquirir mais terras e avançar suas fazendas além das fronteiras originais. Em 26 de Julho de 1847, a Libéria declarou a sua independência, sendo o primeiro país da África a se tornar independente, embora permanecesse estritamente atrelada aos Estados Unidos. Mais 13 mil escravos libertos dos EUA chegam à Libéria, após a Guerra Civil americana (1861-1865) e o fim definitivo da escravidão. 



Joseph Jenkins Roberts: De escravo nos EUA à presidente na Libéria


Os escravos que viraram escravizadores

Não foi surpresa para ninguém quando surgiram as primeiras desavenças com as tribos locais, que ainda por cima foram excluídas da cidadania no país. As fronteiras - traçadas inicialmente pela ACS e expandidas pelos negros americanos - dividiram etnias aliadas e reuniram no mesmo território cerca de 15 tribos, algumas delas inimigas há séculos. Os conflitos internos eram inevitáveis.
As áreas litorâneas, colonizadas pelos negros americanos, prosperavam com o auxílio dos Estados Unidos. Plantações de mandioca e café e a extração de borracha cresciam pela costa. Enquanto isso, o interior habitado pelos nativos africanos era totalmente negligenciado, com a população vivendo em miséria.
 Diante deste fato, um paradoxo curioso e triste ocorreu na chamada “Terra Livre” da África. Com fome, as tribos nativas submeteram-se a trabalhar nas fazendas da elite negra norte-americana, em troca de comida para suas famílias. Os nativos eram ridicularizados, açoitados e menosprezados pelos patrões. Com o poder em suas mãos, os ex-escravos passaram a ser os escravizadores. Pois este, afinal, era o único modelo social que os negros norte-americanos conheciam. Haviam nascido na escravidão, seus pais e avós haviam nascido escravos, então era quase natural que, agora libertos, adotassem o sistema em suas vidas. Não era possível a eles vislumbrar um mundo onde todos vivessem em liberdade.


Preconceito e repressão: os negros que não queriam ser negros

Em pouco tempo os “refinados” negros da Libéria organizaram uma sociedade a parte dos “selvagens” negros nativos. Criaram uma constituição e um modelo político semelhante aos dos EUA, definiram a religião Batista como oficial e se declararam os únicos cidadãos por direito. Como não podiam se diferenciar da população local pela cor de pele, mostravam sua “superioridade” vestindo-se com a pompa e requinte de seus senhores brancos na América, utilizando fraques, luvas e chapéus, mesmo nos dias de calor escaldante. As roupas eram ridículas comparadas com o contexto africano, viviam empapadas de suor, fedidas, mas os liberianos utilizavam perfumes e colônias em excesso para amenizar o odor.
Em 1869, os américo-liberianos instituíram um sistema do partido único, o True Whig Party, que ficaria no poder por um total de 111 anos, excluindo do poder público os nativos. Foram demarcados territórios para isolar as 16 tribos locais do convívio dos negros da América, e quando estas ultrapassavam seus limites eram severamente punidas pela bem organizada e armada polícia da Monrávia, cujos armamentos eram patrocinados pelos EUA. Quando estourava alguma rebelião, esta mesma polícia era enviada para realizar expedições punitivas com o objetivo de capturar escravos.


Uma das tribos locais da Libéria: nativos não eram considerados cidadão pelos colonos negros norte-americanos



Libéria hoje: abandono, guerra, corrupção e miséria

Por grande parte do século 20, a classe política dominante na Libéria continuou formada pelos descendentes dos ex-escravos norte-americanos, com seu True Whig Party. Após a Primeira Guerra Mundial, entretanto, os EUA frearam os investimentos no país da costa oeste africana, deixando a elite liberiana entregue a própria sorte, o que na África significa - quase invariavelmente - uma brecha para guerras civis. O calculo é simples: são dezenas de tribos rivais agrupadas num mesmo pais, tendo que buscar a paz incompreensível. Porém, são tribos que, historicamente, guerreiam já há milhares de anos entre si, o ódio entre etnias rivais é inato e quase indiscutível em muitas sociedades africanas. Isso já seria o suficiente para gerar grandes ondas de estabilidade, mas se torna o caos com a presença de uma minoria negra, estrangeira dominando o país.
Porém, o partido dos colonos negros dos EUA conseguiu, por meio da ditadura e exploração, se manter por um longo tempo no poder. Apenas em 1980 um golpe militar, liderado por Samuel Doe, membro de uma etnia local, tira o True Whig Party do poder. E em 1989, acontece o inevitável: várias etnias lutam pelo poder em uma guerra civil sangrenta, que durou até 2003 matando centenas de milhares de liberianos.
Hoje, Os habitantes da Libéria sofrem com vários problemas socioeconômicos. O desemprego atinge grande parte da população; a fome e a desnutrição castigam os habitantes. A cada mil nascidos na Libéria, 93 morrem antes de completar um ano de idade; a maioria dos habitantes vive com menos de 1,25 dólar  por dia, ou seja, abaixo da linha de pobreza. O país tem um dos IDH mais baixos do mundo, e a expectativa de vida é de menos de 47 anos.
Em seu relatório anual de 2010, a organização não-governamental Transparência Internacional (TI) identificou a Libéria como a nação mais corrupta do mundo. O maior dado verificável de corrupção, de acordo com a entidade, são os serviços públicos. Verificou-se que, ao procurar a atenção de um prestador de serviços públicos, aproximadamente 89 % da população do país tinha de pagar alguma forma de suborno.



Mais História: Os escravos brasileiros que voltaram para a África e prosperaram



A viagem de volta para a África também foi feita por ex-escravos brasileiros, no século 19. A expatriação começou após Revolta dos Malês, que ocorreu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, na cidade de Salvador


- Na Revolta dos Malês, organizada em torno de propostas radicais (e praticamente suicidas), os negros pediam a libertação dos escravos africanos que fossem muçulmanos na Bahia. "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos. A rebelião foi rápida e duramente reprimida pelo poder público e militar baiano. Cerca de 70 pessoas morreram e mais de 500 foram punidas com deportações para a África.

- Após a Revolta dos Malês, o governo baiano ficou assustado com o poder de organização dos ex-escravos, e criou uma lei que permitia “reexportar africanos libertos sob simples suspeita de promover, de algum modo, a insurreição de escravos”. O governo também dificultava a vida destes ex-escravos, que foram proibidos de alugar imóveis e tiveram seus títulos de propriedade anulados.

- Quase compulsoriamente, entre 5 e 8 mil pessoas voltaram da Bahia para a África nos anos posteriores, principalmente aos países do Benim e Nigéria. A chegada dos brasileiros provocou muitas mudanças. Para começar, os imigrantes constituíram uma elite de comerciantes e artesãos, atividades que exerciam no Brasil. Muitos enriqueceram com seus ofícios, e ainda revolucionaram os hábitos locais. As casas, quase todas térreas e sem janelas, foram substituídas pelos sobrados com dois ou três andares, típicos do estilo colonial brasileiro.

- As moradias também ganharam móveis, como sofás, camas, mesas e cadeiras de balanço, desconhecidos dos africanos da época. As visitas eram recebidas com sucos de frutas colhidas no pomar, coisa que eles também nunca tinham visto. A vida cultural também mudou muito. A comunidade brasileira passou a organizar serões musicais e peças teatrais. Os africanos também foram apresentados às festas brasileiras, como a Epifania e o Carnaval. Mesmo a culinária, sofreu grandes transformações. Pratos típicos da Bahia no século 19, como o mingau e o pirão de caranguejo, foram perfeitamente inseridos na cozinha local.


*com informações dos sites Wikipedia, Terra, Guia do Estudante (abril) e do livro “Ébano – minha vida na África”, de Ryszard Kapuściński

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Despina: As cidades e o desejo



Há duas maneiras de se alcançar Despina: de navio ou de camelo. A cidade se apresenta de forma diferente para quem chega por terra ou por mar. 

O cameleiro que vê despontar no horizonte do planalto os pináculos dos arranha-céus, as antenas de radar, os sobressaltos das birutas brancas e vermelhas, a fumaça das chaminés, imagina um navio; sabe que é uma cidade, mas a imagina como uma embarcação que pode afastá-lo do deserto, um veleiro que esteja para zarpar, com o vento que enche as suas velas ainda não completamente soltas, ou um navio a vapor com a caldeira que vibra na carena de ferro, e imagina todos os portos, as mercadorias ultramarinas que os guindastes descarregam nos cais, as tabernas em que tripulações de diferentes bandeiras quebram garrafas na cabeça umas das outras, as janelas térreas iluminadas, cada uma com uma mulher que se penteia. 


Na neblina costeira, o marinheiro distingue a forma da corcunda de um camelo, de uma sela bordada de franjas refulgentes entre duas corcundas malhadas que avançam balançando; sabe que é uma cidade, mas a imagina como um camelo de cuja albarda pendem odres e alforjes de fruta cristalizada, vinho de tâmaras, folhas de tabaco, e vê-se ao comando de uma longa caravana que o afasta do deserto do mar rumo a um oásis de água doce à sombra cerrada das palmeiras, rumo a palácios de espessas paredes caiadas, de pátios azulejados onde as bailarinas dançam descalças e movem os braços para dentro e para fora do véu. 

Cada cidade recebe a forma do deserto a que se opõe; é assim que o cameleiro e o marinheiro vêem Despina, cidade de confim entre dois desertos.





*Do livro Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino

sábado, 26 de novembro de 2011

Gengis Khan: O bárbaro estrategista



Temudjin, mais conhecido como Gengis Khan, o bárbaro mongol, viveu de 1162 a 1227 Ele nasceu cercado de lendas xamânicas sobre a vinda de um lobo cinzento que devoraria toda a Terra, e constituiu o maior império da história que a história já viu. Um dos grande gênio militares da história, valeu-se da inteligência, estratégia e disciplina para se tornar uma imagem de inspiração, um mito dos antigos cavaleiros guerreiros.

De Temudjin a Gengis Khan

Ainda que tivesse descendência nobre, na época do nascimento de Temudjin os mongóis estavam divididos em diversas tribos e clãs, cada uma governada por um cã, ou "Senhor", que impunha-se mais pela força do que pela descendência nobre. Como quase todos os mongóis, Temudjin provavelmente tinha sido treinado como arqueiro montado desde muito jovem. A habilidade na montaria, comandada apenas com os joelhos, e a destreza no arco e flecha, aliada a uma vida dura nas estepes, tornavam os guerreiros mongóis muito temidos e respeitados.
Ainda jovem, Temudjin enfrentou a rejeição de sua família por seu próprio clã, do qual teve de fugir após a morte do pai. Mas anos depois ele voltaria para conquistar sua liderança, e baseado nas tradições, genialidade militar e numa presença divina (diz o mito que era iluminado pelo Deus do Trovão, Tengri) Temudjin derrotou todos os seus rivais de clãs distintos, inspirou respeito e disciplina ao seu exército cada vez mais crescente, e unificou os povos mongóis sob seu comando para, assim, tornar-se o Gengis Khan, o “Comandante dos Comandantes”. Criou-se uma hierarquia administrativa e militar, e um exército foi treinado e organizado.


O temido e respeitado exército de Gengis Khan


Gengis Khan criou táticas de guerra revolucionárias para as batalhas nas estepes. Seu exército era disciplinado, temido e impiedoso. A arma tradicional dos mongóis era o arco e flecha curvo, que tinha um alcance de 500 metros, com isso tornou obrigatório o treinamento dessa arma. Os cavaleiros eram treinados para atirar a flecha com o cavalo em movimento.
Um detalhe era que, para maior precisão, a flecha era disparada no momento em que o cavalo estivesse em pleno galope. Esses cavaleiros, os chamados mangudais, eram uma arma poderosa contra infantaria inimiga, já que juntavam três princípios: arco e flecha, excelente pontaria e cavalaria, ou seja, um mangudai poderia ser rápido e preciso para atingir os inimigos mesmo estando longe. O arco curvo mongol era a mais devastadora arma

Tradição, disciplina e eficiência



O exército mongol funcionava com precisão e eficiência admiráveis. Organizava-se em dezenas, formados por dez homens que atuavam juntos em combate, saque ou obtenção de suprimentos. A cada dez dezenas havia um chefe. A cada cem dezenas de homens, havia um Kan, um líder. E cada 10 mil guerreiros formavam uma “horda” que era dirigida por um general submisso ao "Grande Khan".
Aprendiam a montar e a utilizar as armas ainda quando crianças, em especial o arco composto. Todos os homens não incapacitados deviam, até os 60 anos, participar da caça e da guerra. Dessa maneira, o exército mongol de Gengis Khan reunia, literalmente, a totalidade da população masculina adulta.
Os mongóis combatiam sob um restrito código de disciplina. O abandono de um companheiro na batalha era castigado com a morte. Genghis Khan organizou seu exército de uma forma espetacular, seguindo um sistema decimal, (10 / 100 / 1000 / 10.000). A unidade de 10.000 homens era a maior unidade combatente, como uma divisão moderna, capaz de manter por si só uma prolongada luta, poderosos por sua disciplina, quase invencíveis... e cruéis.

Crueldade bárbara

Os guerreiros mongóis eram especialistas em emboscadas e ataques de surpresa. Os chefes de seu exército faziam grande uso de patrulhas de reconhecimento e de movimentos sincronizados para atacar o inimigo em desvantagem. Os povos conquistados, como os tártaros e os Merkits, eram desagregados e divididos em unidades de 100 guerreiros. Assim, eles não teriam forças para constituir uma ameaça organizada para a família reinante.
Os mongóis fizeram uso exaustivo do terror. Se a população de uma cidade era massacrada depois de sua captura, era mais provável que a próxima cidade se rendesse sem luta. Iam se rendendo, cidade após cidade, ante a chegada do exército mongol. Genghis Khan, não construiu o maior império da história apenas com força bruta e matanças. Também era um grande estrategista, brilhante e bárbaro governante, e um terrível vingador.

Meio mundo sobre o controle mongol

Os mongóis formam um grupo étnico que habita as estepes da Ásia Central. Sua existência é documentada desde o século VIII. Os mongóis formaram sociedades complexas na Idade Média e, seguindo os passos dos hunos (seus predecessores em mil anos) eles esculpiram um dos maiores impérios que o mundo já viu. No seu auge, o império mongol alcançava terras na Coréia, através da Ásia, seguindo adentro da Rússia européia até a costa do Mar Báltico. Eles possuíram a maioria da Ásia Menor, o atual Iraque, atual Irã, Afeganistão, Paquistão, Tibete, partes da Índia, partes de Burma, toda a China e partes do Vietnã

Gengis Khan, o grande Khan

Começando com apenas cerca de 25.000 guerreiros,,Gengis Khan adicionou forças unindo nômades e atacando a parte norte da China em 1211. Sua ambição era a de acabar com o Império Jin( Nordeste da China) que por muitos séculos impedia o crescimento das tribos mongóis. E ele cumpriu com sua meta, e continuou com sua expansão de conquistas, massacres e escravidão dentro da China. Tomou Pequim em 1215 após uma campanha que custou cerca de 30 milhões de vidas chinesas.
Os mongóis então viraram para o oeste, rumo ao vez do império da Corásmia, cujos domínios incluíam os atuais Uzbequistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tajiquistão e Afeganistão. Vitorioso em 1220, o exército mongol havia conquistado cidades como,Samarcada e Bukhara, ricas por serem pontos comerciais chaves na Rota da Seda. As cidades foi transformada em ruínas fumegantes, e todos os seus habitantes, mortos.



Os descendentes, expansionismo e queda

Após a morte de Genghis Khan em 1227, seu filho Ogedei completou a conquista do norte da China, e seguiu para a Europa. Ele destruiu Kiev em 1240 e avançou para a Hungria. Quando Ogedei morreu, em campanha militar, no ano de 1241, o exército inteiro recuou para que fosse tomada a decisão da sucessão. A Europa foi poupada enquanto os dirigentes mongóis concentravam seus esforços no Oriente Médio, e sul da China.
Hulagu, neto de Genghis Khan, exterminou os haxaxim (origem da palavra assassino) muçulmanos e tomou a capital islâmica, Bagdá, em 1258. A maioria dos 100.000 habitantes foram mortos. Em 1260 um exército Muçulmano de Mamelucos Egípcios (guerreiros-escravos de alta posição social) derrotou os mongóis onde hoje é Israel, terminando com a ameaça mongol contra o Islã e suas cidades sagradas. Kublai Khan, outro neto de Genghis Khan, completou a conquista da China em 1279, estabelecendo a dinastia Yuan no gigantesco país.
Uma das tentativas de invasão do Japão foi vencida pela Marinha, e outra por um furacão que mais tarde veio a ser conhecido como Kamikaze (vento divino), em 1274 e 1281. As derrotas contra o Japão desmoralizaram o então motivado Império MongolEm 1294, Kublai Khan morreu na China, e o poder mongol começou a declinar em todas as partes.

O legado de um mito

Contam as lendas que todos os envolvidos no enterro de Gengis Khan foram mortos para manter em segredo o local onde ele foi enterrado. E esse local realmente jamais foi encontrado. Na Mongólia atual, Gengis Khan é considerado o herói máximo e o pai daquela nação, cujo culto à imagem jamais se deixou apagar, mesmo durante o regime comunista
Um estudo realizado em 2002 concluiu que 8% da população da região anteriormente ocupada pelo Império Mongol, uma área entre o oceano Pacífico e o Mar Cáspio (o que corresponde a 0,5% da população mundial) podem ser descendentes de Gengis Khan. Um outro estudo de 2007 afirma que 35% dos atuais mongóis são descendentes de Gengis Khan


*Com informações dos sites Wikipédia, UOL e Só História

sábado, 17 de setembro de 2011

Lago Karachay: O lugar mais poluído do mundo


Lago Karachay é um pequeno lago situado no sul dos Montes Urais, no oeste da Rússia. Karachay é considerado o lago mais poluído do planeta.

A partir de 1951, a União Soviética passou a utilizar o lago como repositório de resíduos radioativos da Mayak, uma instalação de reprocessamento e armazenagem de lixo tóxico situada próxima à cidade de Oziorsk (então chamada de Cheliabinsk-40).

A partir da década de 1960, o Karachay passou por uma grande seca, sua área diminuindo de 0.5 km² em 1951 para 0.15 km² no final de 1966. Em 1968, após um período de estiagem na região, o vento dispersou a poeira radioativa da área seca do lago, contaminando meio milhão de pessoas.

Entre 1978 e 1986, o lago foi preenchido com mais de 10,000 blocos de concreto oco para evitar o deslocamento de sedimentos radioativos.

De acordo com o Worldwatch Institute, Karachay é o lugar mais poluído da Terra. O lago acumulou em torno de 4.44 exabequereis (EBq) de radioatividade. Em termos comparativos, o desastre de Chernobyl dispersou entre 5 e 12 EBq de radioatividade. Mas, ao contrário do lago, a contaminação de Chernobyl não ficou concentrada em um só local.

Em 1990, o nível de radiação na margem do Karachai era de 600 röntgens por hora, o suficiente para envenenar mortalmente um ser humano em apenas uma hora. Os cientistas ainda não sabem se um dia será possível descontaminar o Karachay.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os bravos e sofridos pigmeus


Estima-se que há entre 250.000 e 600.000 pigmeus vivendo nas florestas tropicais do Congo. Os mais famosos são os Mbuti, grupo onde os homens adultos crescem no máximo até 1,50 m de altura. Reza a lenda que os pigmeus primordiais eram um povo muito alto, que facilmente passava de 2,20 m na media de altura. Este povo teria sido atingido por uma maldição, evocada há quase 5000 anos atrás pelos ancestrais do povo Banto, que os obrigou a viver nas densas profundezas das florestas equatoriaias do Congo. Após viverem mais de 3000 anos sem poder ver a luz do sol, quando findada a maldição passaram a ter uma estatura muito baixa, e tiveram seu nome mudado para pigmeus (termo pejorativo na língua dos bantos). Já explicações mais científicas para a baixa estatura dos pigmeus incluem a falta de alimentos no ambiente equatorial, os baixos níveis de cálcio no solo, a necessidade de se mover através da densa floresta, a adaptação ao calor e à umidade extremos e, mais recentemente, uma associação com a rápida maturação reprodutiva em condições de mortalidade precoce.

Enquanto para o negro em geral a selva é uma madrasta perigosa, para os Pigmeu é uma mãe amorosa que os acolhe, nutre e protege. Dela eles recebem o material para construir suas cabanas, a madeira para seus arcos e flechas e o alimento cotidiano. Hoje, como no passado, a sorte dos Pigmeu está ligada à selva. Fora dela, sua cultura e sua vida se perdem. Mas ultimamente o seu meio ambiente está sendo cada vez mais modificado e deteriorado pela ação humana na extração de madeira, em plantações de café e minas de ouro e diamantes.

A estrutura social dos Pigmeu é muito precisa, e há uma nítida divisão sexual do trabalho. As mulheres recolhem na selva tubérculos, fungos, larvas e cogumelos. A pesca, que só acontece na estação seca, é reservada às mulheres e crianças. Já a caça é atividade exclusivamente masculina e se constitui num momento mágico na vida da comunidade pigméia. Os homens se preparam para sair à caça se abstendo das relações sexuais e evitando toda forma de "ofensa" à comunidade. Antes de partirem, há cerimônias de purificação e propiciação.

Por viverem na floresta tropical escura, quente e úmida, os Pigmeus encontram na coleta e na caça suas formas básicas de subsistência. Não acumulam alimentos nem bens naturais e vivem daquilo que a natureza lhes oferece. Mas nem sempre contam com o suficiente para atender às necessidades mínimas, e por isso eventualmente passam por longos períodos de fome. Como os demais povos caçadores da África, nunca se interessaram nem pela agricultura nem pela criação de gado. O único animal doméstico que costumam ter é o cachorro. A mulher é muito respeitada na sociedade pigméia, e a monogamia é uma tradição tão firme que chega a ser difícil aos estudiosos explicá-la.

Não é fácil falar da religião dos Pigmeus, porque eles não costumam expressar suas crenças com ritos externos e, além disso, a religião dos diferentes grupos não é uniforme. Geralmente, crêem num Ser Supremo criador, que se personifica no deus da selva, do céu e do além. Crêem ainda que as almas dos bons se convertem em estrelas do firmamento, enquanto as almas dos maus são condenadas a vagar eternamente pela selva e dão origem às doenças dos humanos. Os Pigmeus acreditam também na vida além da morte, mas não se estendem muito sobre o assunto, logo se esquecendo das tumbas de seus antepassados. Todas as noites, este povo costuma se reunir em danças coletivas e jogos mímicos, que são suas atividades preferidas nas horas de lazer.

O Pigmeu africano sofre preconceito e opressão de outros grupos étnicos, sendo o mais brutal o canibalismo dos opressores Bantos. Por gerações o povo foi caçado e literalmente consumido, considerado como uma sub-espécie inferior. Há uma crença entre alguns povos bantos que diz que, se você encontra um pigmeu sozinho na floresta, você deve estuprá-lo até a morte. Após sua morte, o pigmeu deve ser assado, e sua cabeça devorada pelo "caçador". Deve-se também cortar o resto do corpo do pigmeu e distribuí-lo entre os habitantes da aldeia, pois esta ação trará boa sorte e boa colheita para a tribo.

Além disso, na República do Congo, onde pigmeus representam de 5 a 10% da população, muitos pigmeus vivem como escravos de mestres Bantos. A nação está profundamente dividida entre estes dois grupos étnicos. Os pigmeus escravos pertencem desde o nascimento até à sua morte aos mestres Bantos, em um relacionamento que os Bantos chamam de "honrada tradição". Chegam a ser considerados parte do seu patrimônio familiar e, como tais, são transmitidos como herança de geração em geração.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Lago Baikal



Situado na parte sul da Sibéria Russa, o Lago Baikal, que em russo significa “Lago Rico”, é o lago mais profundo do mundo, com mais de 1600 metros de profundidade. É o sexto em tamanho, com uma área de superfície de 31722 km². É considerado o lago de água potável mais volumoso do mundo, com cerca de 20% da água doce do planeta ali disposta. Estima-se que para encher o Baikal em seu volume atual, seriam necessários que todos os rios da Terra desaguassem nele por pelo menos um ano. São estimados 262 bilhões de litros de água, suficiente para saciar a sede de toda a humanidade pelos próximos 40 anos, e que durante o inverno ficam cobertas numa gigantesca e grossa camada de gelo.



O título de Patrimônio da Humanidade foi concedido pela UNESCO em 1996. Formado há 25milhões de anos, o Baikal é o lago mais antigo do mundo. Chega a ter 636 quilômetros de comprimento e 79 quilômetros de largura, com uma profundidade média de 745 metros. Números geográficos não são os únicos impressionantes, o Lago Baikal ainda possui um dos ecossistemas mais ricos do planeta, é lar de mais de 2600 espécies de animais e vegetais, sendo que mais de 60% destas são endêmicas, ou seja, só se desenvolvem no local. Animais como as nerpas, ou focas-de-baikal uma das menores espécies de focas do mundo. Uma popular forma vertebrada de vida na região do lago são os peixes do gênero Comephorus, que possuem até 20 centímetros de tamanho e são facilmente identificados por terem um corpo translúcido, isto é, os órgãos internos ficam expostos a vista. Peixes da família do esturjão, cujas ovas são a matéria-prima necessária para a produção do caviar, encontram-se em abundância no Baikal, existindo inclusive uma espécie endêmica, o estujão-de-baikal, ameaçado de extinção por seu grande tamanho: não são raros os espécimes que ultrapassam os 125quilos de peso. Na orla do lago, os animais mais comuns são os cervos e os ursos.



Gigantescas linhas de falhas da crosta terrestre marcam o centro do Continente Asiático. Quando, há 80 milhões de anos, tremendos solavancos e terremotos dilataram as falhas, uma porção da crosta terrestre caiu, formando um profundo abismo de lados escarpados. O Lago Baikal foi formado sobre este rifte e mesmo sua parte mais profunda está a 1200 metros acima do nível do mar, fazendo deste o rifte mais profundo da Terra. Algo como uma espécie de açude monumental enchendo de água a enorme cadeia de montanhas no entorno do lago. O Baikal é alimentado por 330 rios, entretanto, apenas um rio nasce dele, o Angara, com 1800 quilômetros de extensão.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os escravos escravizadores da Libéria


A Libéria é mais um pais miserável da África Ocidental. Foi fundada por seis mil negros norte-americanos, ex-escravos que ganharam a área de presente de seus antigos patrões, para que assim pudessem viver na terra de seus antigos ancestrais. Os brancos não faziam isso por caridade, mas sim para expulsar dos EUA seus negros recém libertos, já que por “seus instintos selvagens” estes não conseguiriam se adequar a uma sociedade livre e aumentariam os níveis de criminalidade.

Aportaram na costa da Monróvia e deram o nome de “Terra Livre” (Libéria, em latim) ao seu novo lar. Na Terra Livre Africana, os ex-escravos passaram a escravizar a população local, afinal este era o único modelo social que conheciam. Haviam nascido na escravidão, seus pais e avós haviam nascido escravos, então é natural que, agora libertos, adotassem o sistema em suas vidas. Não era possível a eles vislumbrar um mundo onde todos vivessem em liberdade.

Em pouco tempo os “refinados” américo-liberianos organizaram uma sociedade a parte dos “selvagens” liberianos. Criaram uma constituição e um modelo político semelhante aos dos EUA, definiram a religião Batista como oficial e se declararam os únicos cidadãos por direito. Como não podiam se diferenciar da população local pela cor de pele, mostravam sua “superioridade” vestindo-se com a pompa e requinte de seus senhores na América, utilizando fraques, luvas e chapéus, mesmo nos dias de calor escaldante.

Os américo-liberianos instituíram o sistema do partido único, com o True Whig Party ficando no poder por um total de 111 anos. Foram demarcados territórios para isolar as 16 tribos locais do convívio dos negros da América, e quando estas ultrapassavam seus limites eram severamente punidas pela bem organizada e armada polícia da Monróvia. Quando estourava alguma rebelião, esta mesma polícia era enviada para realizar expedições punitivas com o objetivo de capturar escravos. A escravidão permaneceu

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os citas


Especula-se que os Citas tiveram seus primeiros descendentes no ano 2000 a. C. Povos semi-nômades originários da bacía do rio Volga (hoje Rússia), se agrupavam em forma de hordas e dominaram grande parte da Europa Oriental por volta dos anos 700 a. C levando consigo o hábito proto-iraniano da cannabis, usada para a confecção de tecidos a base do cânhamo e também como erva medicinal em rituais banhos de vapor.

Eram habilidosos arqueiros, exímios jinetes e criadores de cavalos, tendo os eqüinos presentes na maioria dos suas magníficas manufaturas e adornos de ouro. Os Citas acreditavam que o ouro lhes havia sido proporcionado por seres de um só olho, que o haviam roubado dos mitológicos grifos. Os seus monarcas eram enterrados em grandes túmulos, juntamente com seus melhores cavalos, concubinas e servos (previamente executados para a cerimônia). Em contraponto, algumas tribos citas costumavam não enterrar seus mortos, esperando que estes fossem devorados pelos abutres no que significava um sinal de boa sorte.

Destacavam-se na arte da guerra, sendo sua marca registrada o uso de capacetes adornados de grandes chifres. O grande processo expancionista persa, realizado por Darío I (que conquistou grande parte do Mundo Antigo), fracassou ao tentar conquistar a região ocupada pelos citas. Apesar de possuírem um contigente imensamente menor que o do exército persa, os citas se valiam de sofisticadas técnicas de emboscada e de seu fator nômade para fazer fracassar o avanço inimigo.

Seus conterrâneos os consideravam muito selvagens por seu hábito de beber o sangue de sua primeira vítima em uma batalha, e por um traje peculiar composto do couro cabeludo escalpelado de suas vítimas de guerra. Também costumavam utilizar crânios humanos como vasilhas para o consumo do kumis (bebida alcóolica a base de leite de égua). Muitos dos costumes dos citas foram posteriormente adotados pelos hunos. Atribui-se principalmente aos magiares da Hungria e ao Ossétianos do Cáucaso a descendência dos citas nos tempos modernos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os discípulos de Shihabedin Fazlullach Naime Tebrizi Azterabadi al-Hurufi


Os hurufitas, doutrina originária da Ásia Central, eram cultuadores de números místicos, cabalistas e adivinhos. Acreditavam que a origem do mundo está nos números 28 e 32. Com a ajuda destas cifras, seria possível esclarecer o segredo de todas as coisas.

Segundo estes místicos, Deus manifestava-se por intermédio da beleza. Quanto mais bela era a obra, tanto maior a manifestação divina. Era este o critério que recorriam para avaliar qualquer fenômeno.

Seu grande líder foi Shihabedin Fazlullach Naime Tebrizi Azterabadi al-Hurufi, morto no Azerbaijão pela inquisição muçulmana, por volta do ano 1400.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Licor de Merda


*Abaixo, o contra-rótulo original da primeira garrafa, de 1974.

_ O "LICOR DE MERDA" é um produto de alta qualidade, cuja fórmula pertenceu no final do século XX ao Frade maluquinho BASKU GONSALBES.
É extraído a partir de diversas merdas de confiança, sujeito portanto a criar depósito com a idade.
Recomenda-se que seja servido com o cuidado indispensável para não turvar._


Licor Artesanal de Cantanhede, Portugal. Composição: Baunilha, Cacau, Leite, Canela, Açúcar e Citrinos. Produção controlada por rótulos numerados

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Guerra, dor e impotência


Tudo teve início com um ato impulsivo, um movimento provavelmente involuntário de um garoto assustado. Então um pesado estrondo reverba em meus ouvidos.
Absolutamente perplexo, observo àquele momento.
A expressão pálida, paralisada num breve instante de choque. Os olhos revirados e vidrados, a boca soltando uma última lufada de saliva, num último suspiro de vida. Na testa, um buraco, maior do que os que minha imaginação criava, porém também não tão enorme quanto meus pesadelos premeditavam. Um baque. Com um baque seco, o peso morto tomba. Me concentro, nos próximos segundos, em focalizar o contexto da cena: gritos na Igreja, uns de revolta, outros de pavor.
Pavor.
Um jovem soldado, com seus 20 anos no máximo, igualmente atordoado, sem entender o real peso de seu último movimento. Segue então, uma mãe desesperada, segurando a cabeça ensangüentada de seu filho morto. Ela, que havia perdido seu marido assassinado numa emboscada de soldados israelenses, que mantinha sua cria o mais longe possível da Jihad e de toda essa maldita guerra, que dedicava toda sua ternura e esperanças em um futuro melhor no seu filho único, viu, naquele quadro dantesco, seu mundo desabar. Não havia mais nenhum sentido em sua vida.
Acabado.
Tudo estava acabado para ela. Mas não. O jovem soldado não entendeu a imprudência do seu ato.
Não.
Sequer passa pela sua cabeça o sentimento daquela mãe, sentimento que resumia a triste sina de um povo, numa luta que já não tem mais nem a própria razão. Palestinos e Israelenses numa guerra que nenhum dos povos entende mais, uma mesma raça separada por crenças distintas.
Dor e Impotência.
O jovem soldado, pelo menos naquele instante, desconhece esses termos.
É pura adrenalina.