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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Analisando o Brasil: As incoerências da sexta maior economia do mundo



*Publicado no JORNAL A FOLHA, de Torres

Em 2011, o Brasil melhorou sua posição na maioria dos rankings internacionais que medem diferentes aspectos do desenvolvimento, e começou 2012 como a 6ª maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha. Mas por trás destes avanços, o país ainda tem desempenho fraco quando comparado a nações do chamado mundo desenvolvido. É o que se constata ao analisar algum dos principais indicadores divulgados ao longo de 2011, que vão além do Produto Interno Bruto (PIB) e inserem o Brasil em um contexto global em áreas como renda, desigualdade, corrupção, competitividade e educação.



Renda per capita baixa

Ainda que o Brasil tenha se tornado a 6ª maior economia do mundo, o país já despenca dezenas de posições quando se considera a renda per capita, resultado da divisão do Produto Interno Bruto (PIB) pela população. Nessa média, o brasileiro ganha, por ano, o equivalente a US$ 10.710. Se compararmos com os levantamentos de 2009, quando o brasileiro ganhava em média US$ 8.615 por ano, é inquestionável que houve avanços, nossa renda cresceu. Mas, segundo os últimos dados do Banco Mundial, 44 países têm renda per capita superior à do Brasil, entre eles a própria Grã-Bretanha.
A renda dos britânicos, US$ 36.144, é três vezes maior do que a dos brasileiros. Essa diferença, no entanto, vem caindo. Além disso, a renda média do brasileiro continua superior à de seus colegas dos Brics: russos recebem em média US$ 10.440 por ano, e na Índia, onde a miséria reina entre as classes mais pobres, a média é de míseros US$ 1.475. A China (US$ 4.428) e a África do Sul (US$ 7.275) também ficam atrás do Brasil neste quesito.


Apenas sete nações apresentam distribuição de renda pior do que a do Brasil

Essa simples divisão do PIB pelo total da população, no entanto, sofre críticas de especialistas em desenvolvimento por ignorar aspectos como a má distribuição da renda. Quando a desigualdade entra na equação, a posição do Brasil no cenário global despenca ainda mais, apesar dos avanços alcançados no país nesse quesito.
Tomando como medida o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da renda em 187 países, apenas sete nações apresentam distribuição pior do que a do Brasil, segundo dados da ONU: Colômbia, Bolívia, Honduras, África do Sul, Angola, Haiti e Comoros.
Nesta comparação, quanto mais perto de 100 é o coeficiente, maior a desigualdade. O Brasil “marcou” 53,9 pontos, um valor altíssimo se posto lado a lado com a Suécia, um dos países com menor concentração de renda, com coeficiente de 25.No Brasil, o país mais desigual da América Latina (juntamente com a Bolívia), os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.
O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo documento divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU (em 2010), os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região. O relatório ainda indica que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".



Ainda longe do alto desenvolvimento, mas IDH vêm crescendo

Apesar dessa péssima posição no quesito desigualdade de renda, o desempenho em outros aspectos do desenvolvimento (medidos pela ONU) põe o Brasil em uma posição melhor no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O IDH do Brasil em 2011 é de 0,718 na escala que vai de 0 a 1. O índice é usado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento sem se prender apenas em índices econômicos. O Brasil tem progredido no IDH, e sua posição geral (em 84º lugar), põe o país no grupo de alto desenvolvimento humano, mas ainda longe do grupo mais seleto com desenvolvimento considerado "muito alto". A lista de 47 países dessa elite é encabeçada pela Noruega, com 0,943 pontos, e conta com países sul americanos como o Chile e Argentina (na 44ª e 45ª posições, respectivamente)


A Índia sofre com a pobreza: renda per capita média é de míseros US$ 1.475 anuais

Alta competitividade e grande mercado interno

O IDH engloba diversas áreas como educação, saúde, expectativa de vida, mas dados de outras organizações servem para complementar o quadro do Brasil no cenário externo.
A competitividade da economia brasileira, por exemplo, é medida por instituições como o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). No ranking do fórum, o Brasil subiu cinco posições em 2011 e passou a ser a 53ª economia mais competitiva entre 142.
A organização destacou o grande mercado interno e o sofisticado ambiente de negócios como pontos fortes do Brasil, mas enfatizou o sistema educacional, as leis trabalhistas (consideradas muito rígidas) e o baixo incentivo à competição como entraves à competitividade brasileira. Pois é inegável que um microempresário brasileiro tem que batalhar muito para fazer de seu estabelecimento um negócio estável e lucrativo. A Suíça é a primeira nesse ranking, seguida por Cingapura.


Corrupção e Jader Barbalho

Em outros quesitos que influenciam a economia, como Corrupção, Ciência e Tecnologia e Educação, o Brasil continua mal, mas teve pelo menos algum avanço. A nota do Brasil avaliada pela Transparência Internacional sobre corrupção passou de 3,7 para 3,8. Mas apesar dessa "melhora" decimal, o Brasil caiu da 69ª para 73ª entre 182 países.
A queda se explica pelo progresso mais acentuado de outros países e pela entrada de novas nações na lista da ONG. O país mais bem colocado no ranking é a Nova Zelândia (com nota 9,5), seguida pela Dinamarca (com nota 9,4). Apesar da queda, o Brasil tem a menor percepção de corrupção entres potências emergentes como Rússia, Índia e China.
"Mas o Brasil não deve se orgulhar disso. Deve ver que há muito a avançar para alcançar o nível dos países desenvolvidos. Os brasileiros tem uma grande tolerância sobre corrupção. Eu vejo que às vezes o tema é colocado em segundo plano, dentro de um contexto de muito otimismo dos brasileiros em relação ao crescimento econômico e do novo papel que o país ocupa no mundo. Por outro lado, há iniciativas muito importantes da sociedade, como a lei da Ficha Limpa", diz o mexicano Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional para as Américas.
Apesar da lei da Ficha Limpa, os juízes do Supremo Tribunal Federal usam das antagônicas leis políticas brasileiras para permitir que mestres da corrupção, como Jader Barbalho, voltem ao poder da pomposa “câmara de lordes” brasileira (vulgo Senado)com sua bela ficha suja. Jader, que renunciou ao mandato de senador em 2001 (para fugir de um processo de cassação ligado a corrupção), assumiu no final de dezembro para, malandramente, receber uma ajuda de custo de R$ 26 mil. Dinheiro este que Jader (se fosse minimamente honesto) deveria recusar, pois configura claramente um desrespeito ao bolso do povo brasileiro (ainda que o dinheiro seja seu direito adquirido pelos bem pagos senadores).
Para piorar sua situação, Jader ainda levou a família para a cerimônia de posse, Seu filho Daniel Barbalho, de 9 anos, disparou caretas para todos os lados, virou piada e ilustrou o retrato de um país conivente a corrupção em Brasília, um circo onde os políticos corruptos são os palhaços, que sabem como entreter o povo, alienado dentre tantas mentiras e mal-caratismo.


Engatinhando na ciência e tecnologia

Outra área em que o Brasil ainda tem pouca representatividade nos rankings é a de Ciência e Tecnologia. Ainda assim, um estudo divulgado em março pela Royal Society, academia nacional de ciência britânica, mostrou um pequeno progresso do Brasil. A representatividade dos estudos brasileiros teve um ligeiro aumento de 1999 para 2003. Passou de 1,3% do total de pesquisas científicas globais para 1,6%. São Paulo subiu de 38º para 17º lugar como centro com mais publicações científicas do mundo.
O estudo indica que “existe uma diversificação pelo mundo, com alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnologia e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações", analisou o relatório. Mas neste ponto nosso país ainda tem muito a aprender. A China, por exemplo, segue em uma velocidade muito superior à do Brasil e já superou Europa e Japão na quantidade anual de publicações científicas.



As mazelas da educação

Na área de Educação, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) divulga comparações internacionais que incluem o Brasil. Os últimos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) pôs o país em 51º lugar entre 65 no ranking de leitura, em 55º no de matemática e em 52º no de Ciências. O país ficou entre os últimos, mas a nota nas três áreas melhorou em relação à pesquisa anterior.
Ainda assim, o professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, como mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Um brasileiro em início de carreira, segundo a pesquisa, recebe em média menos de US$ 5 mil por ano para dar aulas.
Na Alemanha, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suíços. Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro.
A OIT e a Unesco dizem ainda que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.


Custo de vida alto e as dificuldades com impostos

Na contramão dos avanços, ainda que lentos e graduais, há pesquisas como a do banco suíço UBS (feita em 73 países) sobre o custo de vida nas metrópoles. Segundo o relatório, o poder de compra no Rio e em São Paulo vem caindo nos últimos cinco anos, apesar da elevação dos salários. A pesquisa ilustra a tendência comparando o custo de vida no Rio e em São Paulo com o de Nova York, modelo de cidade cara para se viver.
Há cinco anos, o custo de vida das duas principais metrópoles do país representava pouco mais da metade do custo de vida em Nova York. Hoje, representa 74% (São Paulo) e 69% (Rio de Janeiro) do custo de vida na metrópole americana. São Paulo aparece como a 10ª cidade mais cara do mundo, subindo 11 posições em um ano. O Rio foi a 12ª, subindo 17 posições.
O Brasil também piorou no ranking que tenta medir a facilidade de se fazer negócios em 183 países. Perdeu seis colocações, caindo da 120ª para a 126ª posição, segundo o Banco Mundial. As avaliações levam em conta dez indicadores, e se concentram no ambiente de negócios entre pequenas e médias empresas. O Brasil ficou bem, por exemplo, no item "proteção a investidores", mas mal no que avalia a facilidade para se pagar imposto. Nenhuma novidade, tendo em vista que estamos entre os maiores pagadores de impostos no globo, e as taxações são tão complicadas de se entender que fazem com que paguemos quase sem pensar.


Apesar dos problemas, otimismo continua

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi realista ao comentar o estudo que aponta o Brasil como a sexta economia do mundo, dizendo que os brasileiros podem demorar entre 10 e 20 anos para ter um padrão de vida semelhante ao europeu."Isso significa que vamos ter que continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população. Temos um grande desafio pela frente", analisou o ministro
Mas entre avanços e retrocessos, o otimismo entre os consumidores brasileiros foi um indicador que manteve, em 2011, o Brasil no topo das pesquisas globais. Uma enquete da empresa Nielsen com 56 países, divulgada em outubro, por exemplo, mostrou que, apesar dos sinais de desaceleração na economia, a confiança do consumidor brasileiro foi a que mais cresceu, ficando atrás somente da de indianos, sauditas e indonésios.



*Com informações de BBC Brasil, Folha de São Paulo, Estadão e Wikipedia

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brasil: O carro mais caro do mundo


Chevrolet Camaro SS: custa R$ 185 mil no Brasil, mas chilenos pagam o equivalente a R$ 89 mil, e americanos, R$ 54 mil


Quando pensamos sobre os altíssimos preços dos carros no Brasil, o principal culpado que vem em mente são os tributos. Todo mundo sabe que a carga tributária brasileira é muito elevada. Serão arrecadados em 2011, de acordo com o site Impostômetro, um total de 1,5 trilhões de reais, provenientes de impostos municipais, estaduais e federais pelo país. Isto, sem dúvida alguma, compromete o preço dos automóveis, que tem de pagar 30% em tributos. Entretanto existem alguns indícios sugerindo que a culpa por esse valor ser tão alto está, também, por trás do lucro das montadoras no Brasil. Em nenhum lugar do mundo (que possua uma economia forte e um PIB relevante) as montadoras lucram tanto quanto em nosso país.

Comparações**

Algumas comparações para ilustrar o quanto o brasileiro sofre mais que em outros países na hora de comprar um carro:

• Volkswagen Jetta: Importado do México, sedã é vendido no Brasil com preço inicial de R$ 65.700; na origem, carro custa o equivalente a R$ 32.500
• Honda Civic LXS: No Brasil, sedã básico é vendido por R$ 66.660; na Argentina, R$ 42.680; nos EUA, nova geração do carro começa em R$ 24.900
• Novo Ford Fiesta: Importado do México, sedã começa em R$ 50.700 por aqui; mexicanos pagam R$ 28 mil e argentinos, R$ 32.460
• Volkswagen Gol I-Motion: Fabricado no Brasil, hatch automatizado custa R$ 46 mil por aqui; no Chile, sai por apenas R$ 29 mil
• Toyota Corolla: custo do sedã mais básico começa em R$ 59.400 no Brasil; na Argentina, cai para R$ 34.176; nos EUA, é de apenas R$ 24.380

Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais – representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.
A indústria automobilística culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção, isto é: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.

Alta carga tributária?!

De 1997 até agora, o carro popular teve um acréscimo de apenas 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias de carros o imposto não cresceu, diminuiu: o carro médio a gasolina, por exemplo, paga 4,4 pontos percentuais a menos do que em 1997. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, a taxação também é menor em 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.
Enquanto isso, a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010. Quer dizer, o imposto sobre veículos não acompanhou esse aumento. Não é um motivo para argumentar que o imposto brasileiro sobre carros continua astronômico. Assim como no futebol, é difícil bater o Brasil quando o quesito é imposto.
Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (no caso dos carros 1.0, o IPI foi totalmente retirado) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse realmente repassado para o consumidor.


Mesmo sem imposto, carros continuariam caros

Mas mesmo se descontássemos as pilhas de impostos que incidem sobre o preço dos veículos no Brasil, correspondente a 30,4% do valor (nos EUA a “mordida” é de 6,1%), nosso carros ainda seriam mais caros.É o que indica uma matéria do jornal Estado de São Paulo os dados das empresas automobilísticas e da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos instalados no País.
O Chevrolet Malibu, por exemplo, custa a partir de R$ 89.900 no Brasil. Tirando IPI, ICMS e PIS/Cofins, o valor poderia cair para R$ 57.176. Mesmo assim, estaria mais caro do que nos Estados Unidos, onde carro sai por R$ 42.300, já com os impostos, para o consumidor de Nova York.
O Ford Focus Sedan está em situação semelhante. Sem impostos, o preço poderia cair de R$ 56.830 para R$ 39.554 no Brasil. Porém, em nova York esse veículo custa R$ 30.743 (já com a tributação).


Novo Ford Fiesta: Importado do México, sedã básico começa R$ 50.700 por aqui; mexicanos pagam R$ 28 mil e argentinos, R$ 32.460


Baixa escala de produção?!

Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Pergunta pertinente: Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.


Montadoras e as grandes margem de lucro

As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes, e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência “Off Road”.
Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.
Estes carros são altamente lucrativos para as montadoras: a Morgan Stanley estima que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, fica entre 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos entre 10% a 15% mais caros.
O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.


O exemplo do Honda City

O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil, e do lucro acumulado pelas montadores. Ele foi analisado em matéria feita pelo jornalista Joel Leite, do site Auto Informe. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX, versão básica).
Neste já preço está incluído o frete até o país, correspondendo a R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.
No Brasil, indica Joel Leite, adicionam-se os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, que equivalem a R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (neste caso de 10%). A soma resulta em R$ 40.692,00.
Considerando que nos R$ 20,3 mil contabilizados com a venda do carro ao México a montadora já teve sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (ou adicional) abocanhado pela montadora é de R$ 15.518,00 correspondente aos R$ 56.210,00 (preço que o carro é vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.
Isso sem considerar que o carro “básico” que vai para o México tem muito mais equipamentos de série que o “básico” brasileiro: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é uma das poucas semelhanças que equipa a versão vendida no Brasil.



Volkswagen Gol I-Motion: Fabricado no Brasil, hatch automatizado custa R$ 46 mil por aqui; no Chile, sai por apenas R$ 29 mil


“O que vale é o preço que o mercado paga”

Mesmo lembrando que Brasil e México possuem um acordo comercial que isenta a cobrança de impostos de importação, fica a pergunta: Como é possível um carro fabricado no Brasil ser vendido, com lucro, por menos da metade do preço em outro país? Na Argentina, nossos vizinhos, a situação se repete. A versão básica do Honda City (LX), com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600)
E será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro que é brasileiro, e ninguém fale nada? Ouvido pelo site AutoInforme (do UOL), o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, confessou que, retirando os impostos, o preço do carro no Brasil é mais caro que em outros países. Isso ocorreria porque “no Brasil se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis”.
Ito disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro no Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. “O que vale é o preço que o mercado paga”. Ou seja, ainda que o preço seja alto, há quem pague, e pague bem.
E porque será que o consumidor brasileiro paga mais do que os outros? O presidente da Honda não sabe. “Eu também queria entender , a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até os sanduíches do McDonalds aqui são os mais caros do mundo”.


Concluindo...

Independente do preço final , 30% é uma tributação muito alta para um carro, isto é inegável. Ainda que nos últimos tempos o governo e os bancos tenham criado certos incentivos para teoricamente tornar mais fácil a compra de veículos, esses incentivos são tão pequenos comparados com a realidade brasileira que parecem uma piada. Fora o fato de, pelo carro ser astronomicamente caro, a pessoa que pensa em comprar um carro em nosso país tem que pensar também nas dezenas de prestações com juros altíssimos a pagar, que fazem com que o valor final do carro torne-se quase o dobro do preço original. Ou seja: um americano compra um Honda Civic a vista por R$25 mil, enquanto no Brasil o mesmo carro (que por aqui custa R$ 66 mil) sairá por mais de R$ 100 mil depois de 36 parcelas com juros.
E por isso que outro grande culpado pelo alto preço dos automóveis (além dos altos impostos, juros e da ganância das montadoras) é o próprio povo brasilieiro. Há muito tempo que os preços não são definidos pelo custo do produto. É mercado consumidor quem define o preço. Por que as montadoras baixariam os preços dos carros se continuamos pagando uma fortuna por eles? E ainda tem muita gente que quase sente tesão em pagar mais de R$ 100 mil por um carro: não só pelo conforto, estilo e segurança que esses carros trazem, mas sim para mostrar seu poder as demais pessoas.
É claro que, para os que tem condições, é difícil deixar de comprar para baixar esses preços, pois muita gente precisa de um carro. Nosso sistema de transporte público é precário e andar de moto ou bicicleta torna-se cada dia mais perigoso. Mas é possível passar um ou dois anos a mais com seu automóvel antes de trocá-lo. Ou até, quando for comprar outro veículo, opte por um semi-novo. Além de ajudar seu bolso, ainda pressionará as montadoras a baixar os preços dos carros novos.



*Com informações dos sites Auto Informe (UOL), Estadão, BBC Brasil e Wikipedia
**Valores baseados em junho de 2011