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sábado, 9 de junho de 2012

O paradoxo da Libéria: quando os escravos se tornam os escravizadores



Charles Taylor, um corrupto ditador assassino, traficante de armas, estuprador e escravizador, foi presidente da Libéria. Recentemente, tornou-se também o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um tribunal internacional. Mas o cerne desta matéria não será o cruel Charles Taylor, mas sim seu pobre e explorado país, a Libéria, mais um dos miseráveis países africanos que muita gente nem sabe que existe. Porém, a Libéria conta com uma história peculiar em sua colonização, realizada no século 19 por escravos libertos dos Estados Unidos, que foram enviados por seus antigos patrões de volta ao continente de origem dos seus ancestrais. Mas não vou me estender mais, e se você quer saber mais sobre a Liberia, leia a matéria abaixo.



Os diamantes de sangue de Charles Taylor, ou a Libéria na mídia internacional

O Tribunal Especial de Serra Leoa condenou em maio o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, por fornecer armas aos rebeldes de Serra Leoa em troca de diamantes, e por ter se tornado cúmplice de crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos durante a guerra civil no país africano, entre 1991 e 2003. Com 64 anos, Taylor, foi o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um tribunal internacional, e colocou a Libéria nos holofortes da mídia mundial.
Charles Taylor assumiu o poder na Libéria no Natal de 1989, após torturar, mutilar e assassinar o seu antigo aliado, Samuel Doe, então presidente do país. A tortura foi filmada e mostrada em noticiários em todo o mundo. O vídeo mostra Johnson bebendo uma Budweiser enquanto corta a orelha de Doe.
Por parte da Serra Leoa (país vizinho da Libéria), são muitas as denúncias contra o ex-ditador, que vão de assassinatos, estupros de meninas e mulheres ao recrutamento de crianças-soldado, que também eram tratados como escravos para extrair diamantes. "Muitas mutilações e violações a mulheres eram cometidas em público, e houve até pessoas queimadas vivas em suas casas", ressaltou o juiz responsável pelo caso, Richard Lussick, como exemplos das atrocidades cometidas em Serra Leoa. O conflito civil que assolou Serra Leoa entre 1991 e 2002 gerou mais de 100 mil vítimas, entre elas uma multidão de mutilados e 50 mil mortos. Mas essa matéria não irá falar da mutilada Serra Leoa (embora a realidade do pobre país mereça ser melhor conhecida).


Os escravos estão livres, mas como nos livrar deles? Vamos mandá-los para a África!

A Libéria é mais um pais miserável da África Ocidental. Foi fundada por seis mil negros norte-americanos, trazidos para a África em 1821 por ação da Sociedade Americana de Colonização (ACS, na sigla em inglês). Tratavam-se de negros que tinham sido libertos da escravatura, e que ganharam a área de presente de seus antigos patrões para que assim pudessem viver na terra de seus ancestrais. Os brancos não faziam isso por caridade, mas sim para expulsar dos EUA os negros recém-libertos da escravidão, já que estes (por “seus instintos selvagens”) não conseguiriam se adequar a uma sociedade livre norte-americana. O regresso à África seria uma solução para evitar certos "perigos" imaginados como resultado da presença negra, como o casamento interracial ou a criminalidade.
Guiados pela Sociedade Americana de Colonização, os primeiros escravos libertos aportaram na costa da Monróvia (hoje capital do país) onde fixaram sua colônia. Deram o nome de Libéria (“Terra Livre”, em latim) ao seu novo lar. A princípio, a administração do novo país foi entregue a representantes escolhidos pela própria ACS. Mas, com o crescimento populacional e o progressivo alargamento do território, começaram a surgir lideranças locais entre os ex-escravos.
Na expectativa de aumentar as áreas cultiváveis, os antigos escravos norte americanos passaram a adquirir mais terras e avançar suas fazendas além das fronteiras originais. Em 26 de Julho de 1847, a Libéria declarou a sua independência, sendo o primeiro país da África a se tornar independente, embora permanecesse estritamente atrelada aos Estados Unidos. Mais 13 mil escravos libertos dos EUA chegam à Libéria, após a Guerra Civil americana (1861-1865) e o fim definitivo da escravidão. 



Joseph Jenkins Roberts: De escravo nos EUA à presidente na Libéria


Os escravos que viraram escravizadores

Não foi surpresa para ninguém quando surgiram as primeiras desavenças com as tribos locais, que ainda por cima foram excluídas da cidadania no país. As fronteiras - traçadas inicialmente pela ACS e expandidas pelos negros americanos - dividiram etnias aliadas e reuniram no mesmo território cerca de 15 tribos, algumas delas inimigas há séculos. Os conflitos internos eram inevitáveis.
As áreas litorâneas, colonizadas pelos negros americanos, prosperavam com o auxílio dos Estados Unidos. Plantações de mandioca e café e a extração de borracha cresciam pela costa. Enquanto isso, o interior habitado pelos nativos africanos era totalmente negligenciado, com a população vivendo em miséria.
 Diante deste fato, um paradoxo curioso e triste ocorreu na chamada “Terra Livre” da África. Com fome, as tribos nativas submeteram-se a trabalhar nas fazendas da elite negra norte-americana, em troca de comida para suas famílias. Os nativos eram ridicularizados, açoitados e menosprezados pelos patrões. Com o poder em suas mãos, os ex-escravos passaram a ser os escravizadores. Pois este, afinal, era o único modelo social que os negros norte-americanos conheciam. Haviam nascido na escravidão, seus pais e avós haviam nascido escravos, então era quase natural que, agora libertos, adotassem o sistema em suas vidas. Não era possível a eles vislumbrar um mundo onde todos vivessem em liberdade.


Preconceito e repressão: os negros que não queriam ser negros

Em pouco tempo os “refinados” negros da Libéria organizaram uma sociedade a parte dos “selvagens” negros nativos. Criaram uma constituição e um modelo político semelhante aos dos EUA, definiram a religião Batista como oficial e se declararam os únicos cidadãos por direito. Como não podiam se diferenciar da população local pela cor de pele, mostravam sua “superioridade” vestindo-se com a pompa e requinte de seus senhores brancos na América, utilizando fraques, luvas e chapéus, mesmo nos dias de calor escaldante. As roupas eram ridículas comparadas com o contexto africano, viviam empapadas de suor, fedidas, mas os liberianos utilizavam perfumes e colônias em excesso para amenizar o odor.
Em 1869, os américo-liberianos instituíram um sistema do partido único, o True Whig Party, que ficaria no poder por um total de 111 anos, excluindo do poder público os nativos. Foram demarcados territórios para isolar as 16 tribos locais do convívio dos negros da América, e quando estas ultrapassavam seus limites eram severamente punidas pela bem organizada e armada polícia da Monrávia, cujos armamentos eram patrocinados pelos EUA. Quando estourava alguma rebelião, esta mesma polícia era enviada para realizar expedições punitivas com o objetivo de capturar escravos.


Uma das tribos locais da Libéria: nativos não eram considerados cidadão pelos colonos negros norte-americanos



Libéria hoje: abandono, guerra, corrupção e miséria

Por grande parte do século 20, a classe política dominante na Libéria continuou formada pelos descendentes dos ex-escravos norte-americanos, com seu True Whig Party. Após a Primeira Guerra Mundial, entretanto, os EUA frearam os investimentos no país da costa oeste africana, deixando a elite liberiana entregue a própria sorte, o que na África significa - quase invariavelmente - uma brecha para guerras civis. O calculo é simples: são dezenas de tribos rivais agrupadas num mesmo pais, tendo que buscar a paz incompreensível. Porém, são tribos que, historicamente, guerreiam já há milhares de anos entre si, o ódio entre etnias rivais é inato e quase indiscutível em muitas sociedades africanas. Isso já seria o suficiente para gerar grandes ondas de estabilidade, mas se torna o caos com a presença de uma minoria negra, estrangeira dominando o país.
Porém, o partido dos colonos negros dos EUA conseguiu, por meio da ditadura e exploração, se manter por um longo tempo no poder. Apenas em 1980 um golpe militar, liderado por Samuel Doe, membro de uma etnia local, tira o True Whig Party do poder. E em 1989, acontece o inevitável: várias etnias lutam pelo poder em uma guerra civil sangrenta, que durou até 2003 matando centenas de milhares de liberianos.
Hoje, Os habitantes da Libéria sofrem com vários problemas socioeconômicos. O desemprego atinge grande parte da população; a fome e a desnutrição castigam os habitantes. A cada mil nascidos na Libéria, 93 morrem antes de completar um ano de idade; a maioria dos habitantes vive com menos de 1,25 dólar  por dia, ou seja, abaixo da linha de pobreza. O país tem um dos IDH mais baixos do mundo, e a expectativa de vida é de menos de 47 anos.
Em seu relatório anual de 2010, a organização não-governamental Transparência Internacional (TI) identificou a Libéria como a nação mais corrupta do mundo. O maior dado verificável de corrupção, de acordo com a entidade, são os serviços públicos. Verificou-se que, ao procurar a atenção de um prestador de serviços públicos, aproximadamente 89 % da população do país tinha de pagar alguma forma de suborno.



Mais História: Os escravos brasileiros que voltaram para a África e prosperaram



A viagem de volta para a África também foi feita por ex-escravos brasileiros, no século 19. A expatriação começou após Revolta dos Malês, que ocorreu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, na cidade de Salvador


- Na Revolta dos Malês, organizada em torno de propostas radicais (e praticamente suicidas), os negros pediam a libertação dos escravos africanos que fossem muçulmanos na Bahia. "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos. A rebelião foi rápida e duramente reprimida pelo poder público e militar baiano. Cerca de 70 pessoas morreram e mais de 500 foram punidas com deportações para a África.

- Após a Revolta dos Malês, o governo baiano ficou assustado com o poder de organização dos ex-escravos, e criou uma lei que permitia “reexportar africanos libertos sob simples suspeita de promover, de algum modo, a insurreição de escravos”. O governo também dificultava a vida destes ex-escravos, que foram proibidos de alugar imóveis e tiveram seus títulos de propriedade anulados.

- Quase compulsoriamente, entre 5 e 8 mil pessoas voltaram da Bahia para a África nos anos posteriores, principalmente aos países do Benim e Nigéria. A chegada dos brasileiros provocou muitas mudanças. Para começar, os imigrantes constituíram uma elite de comerciantes e artesãos, atividades que exerciam no Brasil. Muitos enriqueceram com seus ofícios, e ainda revolucionaram os hábitos locais. As casas, quase todas térreas e sem janelas, foram substituídas pelos sobrados com dois ou três andares, típicos do estilo colonial brasileiro.

- As moradias também ganharam móveis, como sofás, camas, mesas e cadeiras de balanço, desconhecidos dos africanos da época. As visitas eram recebidas com sucos de frutas colhidas no pomar, coisa que eles também nunca tinham visto. A vida cultural também mudou muito. A comunidade brasileira passou a organizar serões musicais e peças teatrais. Os africanos também foram apresentados às festas brasileiras, como a Epifania e o Carnaval. Mesmo a culinária, sofreu grandes transformações. Pratos típicos da Bahia no século 19, como o mingau e o pirão de caranguejo, foram perfeitamente inseridos na cozinha local.


*com informações dos sites Wikipedia, Terra, Guia do Estudante (abril) e do livro “Ébano – minha vida na África”, de Ryszard Kapuściński

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Analisando o Brasil: As incoerências da sexta maior economia do mundo



*Publicado no JORNAL A FOLHA, de Torres

Em 2011, o Brasil melhorou sua posição na maioria dos rankings internacionais que medem diferentes aspectos do desenvolvimento, e começou 2012 como a 6ª maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha. Mas por trás destes avanços, o país ainda tem desempenho fraco quando comparado a nações do chamado mundo desenvolvido. É o que se constata ao analisar algum dos principais indicadores divulgados ao longo de 2011, que vão além do Produto Interno Bruto (PIB) e inserem o Brasil em um contexto global em áreas como renda, desigualdade, corrupção, competitividade e educação.



Renda per capita baixa

Ainda que o Brasil tenha se tornado a 6ª maior economia do mundo, o país já despenca dezenas de posições quando se considera a renda per capita, resultado da divisão do Produto Interno Bruto (PIB) pela população. Nessa média, o brasileiro ganha, por ano, o equivalente a US$ 10.710. Se compararmos com os levantamentos de 2009, quando o brasileiro ganhava em média US$ 8.615 por ano, é inquestionável que houve avanços, nossa renda cresceu. Mas, segundo os últimos dados do Banco Mundial, 44 países têm renda per capita superior à do Brasil, entre eles a própria Grã-Bretanha.
A renda dos britânicos, US$ 36.144, é três vezes maior do que a dos brasileiros. Essa diferença, no entanto, vem caindo. Além disso, a renda média do brasileiro continua superior à de seus colegas dos Brics: russos recebem em média US$ 10.440 por ano, e na Índia, onde a miséria reina entre as classes mais pobres, a média é de míseros US$ 1.475. A China (US$ 4.428) e a África do Sul (US$ 7.275) também ficam atrás do Brasil neste quesito.


Apenas sete nações apresentam distribuição de renda pior do que a do Brasil

Essa simples divisão do PIB pelo total da população, no entanto, sofre críticas de especialistas em desenvolvimento por ignorar aspectos como a má distribuição da renda. Quando a desigualdade entra na equação, a posição do Brasil no cenário global despenca ainda mais, apesar dos avanços alcançados no país nesse quesito.
Tomando como medida o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da renda em 187 países, apenas sete nações apresentam distribuição pior do que a do Brasil, segundo dados da ONU: Colômbia, Bolívia, Honduras, África do Sul, Angola, Haiti e Comoros.
Nesta comparação, quanto mais perto de 100 é o coeficiente, maior a desigualdade. O Brasil “marcou” 53,9 pontos, um valor altíssimo se posto lado a lado com a Suécia, um dos países com menor concentração de renda, com coeficiente de 25.No Brasil, o país mais desigual da América Latina (juntamente com a Bolívia), os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.
O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo documento divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU (em 2010), os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região. O relatório ainda indica que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".



Ainda longe do alto desenvolvimento, mas IDH vêm crescendo

Apesar dessa péssima posição no quesito desigualdade de renda, o desempenho em outros aspectos do desenvolvimento (medidos pela ONU) põe o Brasil em uma posição melhor no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O IDH do Brasil em 2011 é de 0,718 na escala que vai de 0 a 1. O índice é usado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento sem se prender apenas em índices econômicos. O Brasil tem progredido no IDH, e sua posição geral (em 84º lugar), põe o país no grupo de alto desenvolvimento humano, mas ainda longe do grupo mais seleto com desenvolvimento considerado "muito alto". A lista de 47 países dessa elite é encabeçada pela Noruega, com 0,943 pontos, e conta com países sul americanos como o Chile e Argentina (na 44ª e 45ª posições, respectivamente)


A Índia sofre com a pobreza: renda per capita média é de míseros US$ 1.475 anuais

Alta competitividade e grande mercado interno

O IDH engloba diversas áreas como educação, saúde, expectativa de vida, mas dados de outras organizações servem para complementar o quadro do Brasil no cenário externo.
A competitividade da economia brasileira, por exemplo, é medida por instituições como o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). No ranking do fórum, o Brasil subiu cinco posições em 2011 e passou a ser a 53ª economia mais competitiva entre 142.
A organização destacou o grande mercado interno e o sofisticado ambiente de negócios como pontos fortes do Brasil, mas enfatizou o sistema educacional, as leis trabalhistas (consideradas muito rígidas) e o baixo incentivo à competição como entraves à competitividade brasileira. Pois é inegável que um microempresário brasileiro tem que batalhar muito para fazer de seu estabelecimento um negócio estável e lucrativo. A Suíça é a primeira nesse ranking, seguida por Cingapura.


Corrupção e Jader Barbalho

Em outros quesitos que influenciam a economia, como Corrupção, Ciência e Tecnologia e Educação, o Brasil continua mal, mas teve pelo menos algum avanço. A nota do Brasil avaliada pela Transparência Internacional sobre corrupção passou de 3,7 para 3,8. Mas apesar dessa "melhora" decimal, o Brasil caiu da 69ª para 73ª entre 182 países.
A queda se explica pelo progresso mais acentuado de outros países e pela entrada de novas nações na lista da ONG. O país mais bem colocado no ranking é a Nova Zelândia (com nota 9,5), seguida pela Dinamarca (com nota 9,4). Apesar da queda, o Brasil tem a menor percepção de corrupção entres potências emergentes como Rússia, Índia e China.
"Mas o Brasil não deve se orgulhar disso. Deve ver que há muito a avançar para alcançar o nível dos países desenvolvidos. Os brasileiros tem uma grande tolerância sobre corrupção. Eu vejo que às vezes o tema é colocado em segundo plano, dentro de um contexto de muito otimismo dos brasileiros em relação ao crescimento econômico e do novo papel que o país ocupa no mundo. Por outro lado, há iniciativas muito importantes da sociedade, como a lei da Ficha Limpa", diz o mexicano Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional para as Américas.
Apesar da lei da Ficha Limpa, os juízes do Supremo Tribunal Federal usam das antagônicas leis políticas brasileiras para permitir que mestres da corrupção, como Jader Barbalho, voltem ao poder da pomposa “câmara de lordes” brasileira (vulgo Senado)com sua bela ficha suja. Jader, que renunciou ao mandato de senador em 2001 (para fugir de um processo de cassação ligado a corrupção), assumiu no final de dezembro para, malandramente, receber uma ajuda de custo de R$ 26 mil. Dinheiro este que Jader (se fosse minimamente honesto) deveria recusar, pois configura claramente um desrespeito ao bolso do povo brasileiro (ainda que o dinheiro seja seu direito adquirido pelos bem pagos senadores).
Para piorar sua situação, Jader ainda levou a família para a cerimônia de posse, Seu filho Daniel Barbalho, de 9 anos, disparou caretas para todos os lados, virou piada e ilustrou o retrato de um país conivente a corrupção em Brasília, um circo onde os políticos corruptos são os palhaços, que sabem como entreter o povo, alienado dentre tantas mentiras e mal-caratismo.


Engatinhando na ciência e tecnologia

Outra área em que o Brasil ainda tem pouca representatividade nos rankings é a de Ciência e Tecnologia. Ainda assim, um estudo divulgado em março pela Royal Society, academia nacional de ciência britânica, mostrou um pequeno progresso do Brasil. A representatividade dos estudos brasileiros teve um ligeiro aumento de 1999 para 2003. Passou de 1,3% do total de pesquisas científicas globais para 1,6%. São Paulo subiu de 38º para 17º lugar como centro com mais publicações científicas do mundo.
O estudo indica que “existe uma diversificação pelo mundo, com alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnologia e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações", analisou o relatório. Mas neste ponto nosso país ainda tem muito a aprender. A China, por exemplo, segue em uma velocidade muito superior à do Brasil e já superou Europa e Japão na quantidade anual de publicações científicas.



As mazelas da educação

Na área de Educação, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) divulga comparações internacionais que incluem o Brasil. Os últimos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) pôs o país em 51º lugar entre 65 no ranking de leitura, em 55º no de matemática e em 52º no de Ciências. O país ficou entre os últimos, mas a nota nas três áreas melhorou em relação à pesquisa anterior.
Ainda assim, o professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, como mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Um brasileiro em início de carreira, segundo a pesquisa, recebe em média menos de US$ 5 mil por ano para dar aulas.
Na Alemanha, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suíços. Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro.
A OIT e a Unesco dizem ainda que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.


Custo de vida alto e as dificuldades com impostos

Na contramão dos avanços, ainda que lentos e graduais, há pesquisas como a do banco suíço UBS (feita em 73 países) sobre o custo de vida nas metrópoles. Segundo o relatório, o poder de compra no Rio e em São Paulo vem caindo nos últimos cinco anos, apesar da elevação dos salários. A pesquisa ilustra a tendência comparando o custo de vida no Rio e em São Paulo com o de Nova York, modelo de cidade cara para se viver.
Há cinco anos, o custo de vida das duas principais metrópoles do país representava pouco mais da metade do custo de vida em Nova York. Hoje, representa 74% (São Paulo) e 69% (Rio de Janeiro) do custo de vida na metrópole americana. São Paulo aparece como a 10ª cidade mais cara do mundo, subindo 11 posições em um ano. O Rio foi a 12ª, subindo 17 posições.
O Brasil também piorou no ranking que tenta medir a facilidade de se fazer negócios em 183 países. Perdeu seis colocações, caindo da 120ª para a 126ª posição, segundo o Banco Mundial. As avaliações levam em conta dez indicadores, e se concentram no ambiente de negócios entre pequenas e médias empresas. O Brasil ficou bem, por exemplo, no item "proteção a investidores", mas mal no que avalia a facilidade para se pagar imposto. Nenhuma novidade, tendo em vista que estamos entre os maiores pagadores de impostos no globo, e as taxações são tão complicadas de se entender que fazem com que paguemos quase sem pensar.


Apesar dos problemas, otimismo continua

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi realista ao comentar o estudo que aponta o Brasil como a sexta economia do mundo, dizendo que os brasileiros podem demorar entre 10 e 20 anos para ter um padrão de vida semelhante ao europeu."Isso significa que vamos ter que continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população. Temos um grande desafio pela frente", analisou o ministro
Mas entre avanços e retrocessos, o otimismo entre os consumidores brasileiros foi um indicador que manteve, em 2011, o Brasil no topo das pesquisas globais. Uma enquete da empresa Nielsen com 56 países, divulgada em outubro, por exemplo, mostrou que, apesar dos sinais de desaceleração na economia, a confiança do consumidor brasileiro foi a que mais cresceu, ficando atrás somente da de indianos, sauditas e indonésios.



*Com informações de BBC Brasil, Folha de São Paulo, Estadão e Wikipedia

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brasil: O carro mais caro do mundo


Chevrolet Camaro SS: custa R$ 185 mil no Brasil, mas chilenos pagam o equivalente a R$ 89 mil, e americanos, R$ 54 mil


Quando pensamos sobre os altíssimos preços dos carros no Brasil, o principal culpado que vem em mente são os tributos. Todo mundo sabe que a carga tributária brasileira é muito elevada. Serão arrecadados em 2011, de acordo com o site Impostômetro, um total de 1,5 trilhões de reais, provenientes de impostos municipais, estaduais e federais pelo país. Isto, sem dúvida alguma, compromete o preço dos automóveis, que tem de pagar 30% em tributos. Entretanto existem alguns indícios sugerindo que a culpa por esse valor ser tão alto está, também, por trás do lucro das montadoras no Brasil. Em nenhum lugar do mundo (que possua uma economia forte e um PIB relevante) as montadoras lucram tanto quanto em nosso país.

Comparações**

Algumas comparações para ilustrar o quanto o brasileiro sofre mais que em outros países na hora de comprar um carro:

• Volkswagen Jetta: Importado do México, sedã é vendido no Brasil com preço inicial de R$ 65.700; na origem, carro custa o equivalente a R$ 32.500
• Honda Civic LXS: No Brasil, sedã básico é vendido por R$ 66.660; na Argentina, R$ 42.680; nos EUA, nova geração do carro começa em R$ 24.900
• Novo Ford Fiesta: Importado do México, sedã começa em R$ 50.700 por aqui; mexicanos pagam R$ 28 mil e argentinos, R$ 32.460
• Volkswagen Gol I-Motion: Fabricado no Brasil, hatch automatizado custa R$ 46 mil por aqui; no Chile, sai por apenas R$ 29 mil
• Toyota Corolla: custo do sedã mais básico começa em R$ 59.400 no Brasil; na Argentina, cai para R$ 34.176; nos EUA, é de apenas R$ 24.380

Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais – representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.
A indústria automobilística culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção, isto é: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.

Alta carga tributária?!

De 1997 até agora, o carro popular teve um acréscimo de apenas 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias de carros o imposto não cresceu, diminuiu: o carro médio a gasolina, por exemplo, paga 4,4 pontos percentuais a menos do que em 1997. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, a taxação também é menor em 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.
Enquanto isso, a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010. Quer dizer, o imposto sobre veículos não acompanhou esse aumento. Não é um motivo para argumentar que o imposto brasileiro sobre carros continua astronômico. Assim como no futebol, é difícil bater o Brasil quando o quesito é imposto.
Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (no caso dos carros 1.0, o IPI foi totalmente retirado) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse realmente repassado para o consumidor.


Mesmo sem imposto, carros continuariam caros

Mas mesmo se descontássemos as pilhas de impostos que incidem sobre o preço dos veículos no Brasil, correspondente a 30,4% do valor (nos EUA a “mordida” é de 6,1%), nosso carros ainda seriam mais caros.É o que indica uma matéria do jornal Estado de São Paulo os dados das empresas automobilísticas e da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos instalados no País.
O Chevrolet Malibu, por exemplo, custa a partir de R$ 89.900 no Brasil. Tirando IPI, ICMS e PIS/Cofins, o valor poderia cair para R$ 57.176. Mesmo assim, estaria mais caro do que nos Estados Unidos, onde carro sai por R$ 42.300, já com os impostos, para o consumidor de Nova York.
O Ford Focus Sedan está em situação semelhante. Sem impostos, o preço poderia cair de R$ 56.830 para R$ 39.554 no Brasil. Porém, em nova York esse veículo custa R$ 30.743 (já com a tributação).


Novo Ford Fiesta: Importado do México, sedã básico começa R$ 50.700 por aqui; mexicanos pagam R$ 28 mil e argentinos, R$ 32.460


Baixa escala de produção?!

Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Pergunta pertinente: Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.


Montadoras e as grandes margem de lucro

As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes, e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência “Off Road”.
Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.
Estes carros são altamente lucrativos para as montadoras: a Morgan Stanley estima que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, fica entre 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos entre 10% a 15% mais caros.
O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.


O exemplo do Honda City

O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil, e do lucro acumulado pelas montadores. Ele foi analisado em matéria feita pelo jornalista Joel Leite, do site Auto Informe. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX, versão básica).
Neste já preço está incluído o frete até o país, correspondendo a R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.
No Brasil, indica Joel Leite, adicionam-se os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, que equivalem a R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (neste caso de 10%). A soma resulta em R$ 40.692,00.
Considerando que nos R$ 20,3 mil contabilizados com a venda do carro ao México a montadora já teve sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (ou adicional) abocanhado pela montadora é de R$ 15.518,00 correspondente aos R$ 56.210,00 (preço que o carro é vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.
Isso sem considerar que o carro “básico” que vai para o México tem muito mais equipamentos de série que o “básico” brasileiro: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é uma das poucas semelhanças que equipa a versão vendida no Brasil.



Volkswagen Gol I-Motion: Fabricado no Brasil, hatch automatizado custa R$ 46 mil por aqui; no Chile, sai por apenas R$ 29 mil


“O que vale é o preço que o mercado paga”

Mesmo lembrando que Brasil e México possuem um acordo comercial que isenta a cobrança de impostos de importação, fica a pergunta: Como é possível um carro fabricado no Brasil ser vendido, com lucro, por menos da metade do preço em outro país? Na Argentina, nossos vizinhos, a situação se repete. A versão básica do Honda City (LX), com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600)
E será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro que é brasileiro, e ninguém fale nada? Ouvido pelo site AutoInforme (do UOL), o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, confessou que, retirando os impostos, o preço do carro no Brasil é mais caro que em outros países. Isso ocorreria porque “no Brasil se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis”.
Ito disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro no Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. “O que vale é o preço que o mercado paga”. Ou seja, ainda que o preço seja alto, há quem pague, e pague bem.
E porque será que o consumidor brasileiro paga mais do que os outros? O presidente da Honda não sabe. “Eu também queria entender , a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até os sanduíches do McDonalds aqui são os mais caros do mundo”.


Concluindo...

Independente do preço final , 30% é uma tributação muito alta para um carro, isto é inegável. Ainda que nos últimos tempos o governo e os bancos tenham criado certos incentivos para teoricamente tornar mais fácil a compra de veículos, esses incentivos são tão pequenos comparados com a realidade brasileira que parecem uma piada. Fora o fato de, pelo carro ser astronomicamente caro, a pessoa que pensa em comprar um carro em nosso país tem que pensar também nas dezenas de prestações com juros altíssimos a pagar, que fazem com que o valor final do carro torne-se quase o dobro do preço original. Ou seja: um americano compra um Honda Civic a vista por R$25 mil, enquanto no Brasil o mesmo carro (que por aqui custa R$ 66 mil) sairá por mais de R$ 100 mil depois de 36 parcelas com juros.
E por isso que outro grande culpado pelo alto preço dos automóveis (além dos altos impostos, juros e da ganância das montadoras) é o próprio povo brasilieiro. Há muito tempo que os preços não são definidos pelo custo do produto. É mercado consumidor quem define o preço. Por que as montadoras baixariam os preços dos carros se continuamos pagando uma fortuna por eles? E ainda tem muita gente que quase sente tesão em pagar mais de R$ 100 mil por um carro: não só pelo conforto, estilo e segurança que esses carros trazem, mas sim para mostrar seu poder as demais pessoas.
É claro que, para os que tem condições, é difícil deixar de comprar para baixar esses preços, pois muita gente precisa de um carro. Nosso sistema de transporte público é precário e andar de moto ou bicicleta torna-se cada dia mais perigoso. Mas é possível passar um ou dois anos a mais com seu automóvel antes de trocá-lo. Ou até, quando for comprar outro veículo, opte por um semi-novo. Além de ajudar seu bolso, ainda pressionará as montadoras a baixar os preços dos carros novos.



*Com informações dos sites Auto Informe (UOL), Estadão, BBC Brasil e Wikipedia
**Valores baseados em junho de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Arnold Franz Walter Schönberg


Estava na faculdade, na internet, pesquisando sobre coisas, marquei um copiar para um texto sobre Taoismo e, quando fui colar o texto, sei lá como, me apareceu este nome:Arnold Franz Walter Schönberg. Não sabia quem era Arnold Franz Walter Schönberg, nem tenho idéia sobre que obscuras conexões eletrodigitais estabeleceu o mouse para chegar ao nome de Arnold Franz Walter Schönberg, mas não tem sentido ficar pensando em coisas que fazem pouco sentido, entido, ntido, tido, ido, do ,o

Arnold Franz Walter Schönberg, ou Schoenberg, (Viena, 13 de setembro de 1874 — Los Angeles, 13 de julho de 1951) foi um compositor austríaco de música erudita e criador do dodecafonismo, um dos mais revolucionários e influentes estilos de composição do século XX.
Suas primeiras obras, apesar de ligadas à tradição pós-romântica, já prenunciavam um método composicional inovador, que evoluiu para a atonalidade e, mais tarde, para um estilo próprio, o dodecafonismo. Schönberg foi também pintor e importante teórico musical, autor de Harmonia e Exercícios Preliminares em Contraponto.


*da wikipedia

domingo, 9 de outubro de 2011

Hoje em dia tudo é arte, até BOSTA é arte


O mundo babando devagar
Nem frango, nem água pra beber
Nem sapo, nem farpas pra tirar
Nem vulvas, nem tetas na TV
Os mantras derramados sem pão
Novelas digeridas sem lei
Os morangos chapando o melão
E as rosas pulando por ai

As rosas pulando por ai
As rosas pulando por ai
As moscas debulhando por aqui
As rosas pulando por ai

Blábláblá blábláblá
As rosas pulando por ai
Blábláblá blábláblá
As rosas pulando por ai
Blábláblá blábláblá
As Moscas debulhando por ai
Blábláblá blábláblá
As dermatites flopeando por ai
Blébléblé blíblíblú
Os vértices envergando sucuris
Bláblôblé Blíblócú
Vazando gonorréia do teu alho
Kakaka vagem suicida
Cantando belas noites de amor
Teor de cafeína, bonde do querolho
Quem gosta de xarope conta mil quinhentos e dois
E dizimais, e dizimais, e dizimáááááis
Seeeeeeerrote reeeeeeeeefogado
Falalange fooooooragida
Zanzando, zunindo em Zanzibar



Zambandos zamoras por ai
Zerto das zabedorias zorológicas
Dos zorrilhos zumbizugas
Das zordas zombeteiras
Das zexuberantes zebras
Das zenzazionalizimas zenhoraz zozimais zebrizando zanzicos zózicos.
Te deterás
Te deterás
E não lera mais essa porra aquiiiiiiili
halafretocultiração
Vaaaaaaaai ler sim, vaaaaaai ler sim
Por que senão tu vai dizer
paaaaara ti mesmo, ooooomsem it arap
que não leu isso aqui
e vai ficar pensando
porque não
covarde
covarde
covarde
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh



São 18 besouros interagindo simultaneamente a cada 30 minutos. As inscrições acontecem de hora em hora, são gratuitas e dão direito a uma degustação ao final de cada sessão. Quem mais pontos fizer, derrubando os postes da cor CERÂMICA, ganha o ANEL DE DARDOS. O ANEL DE DARDOS possibilita que o jogador A questione ao jogador B, se C e D podem revesguiar a rodada. C e D, por sua vez, terão a chance de girar a RODA VERTIGINOSA, e o jogador que mais próximo chegar do PAVÃO SATURNO na roleta, consuma a participação no seu time do pronônimo SERAMINÔN. SERAMINÔN libera na atmosfera do jogo GASES DIMENSIONAIS DE AGHAS, que concluem a primeira fase do que quer que se imagine querer ou do que quer que se imagine imaginar....................



.........................Bergers! Castelyn è desgrûtri famalonsi naster. Das caridas necomynas vi dargûspitale tucá. Fasky resrà das Valim-Yoran carestidon va puti. Parakumû Porumbá! Parakumû Porumbá!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Procrastinação e você: tudo a ver!



- Publicada no jornal A FOLHA*


Bem, já estou querendo fazer esta matéria sobre procrastinação há cerca de um mês, mas no final das contas sempre deixo pra depois. Tenho um prazo de uma semana para fazer a apuração de dados, entrevistar algumas pessoas, achar uma maneira interessante de reportar o assunto... É um bocado de tempo, e eu sei que, se mantivesse o mínimo de foco, poderia elaborar uma boa matéria num só dia. Poderia ser até agora, mas porque fazer agora se eu posso deixar para depois? Essa é a filosofia do procrastinador, pessoa que tem o costume de adiar suas atividades, empurrar com a barriga. Embora a procrastinação seja considerada normal, ela se torna um problema quando impede o funcionamento normal das ações.

Estudar para a prova ou ficar de bobeira no Facebook? Limpar a casa ou assistir TV? Fazer o relatório que o chefe pediu ou tomar umas cervejas com os amigos? Nossa vida está sempre marcada por escolhas, o problema é que algumas decisões que tomamos podem nos colocar em situações complicadas. O tempo terminou e o relatório não está pronto.... dizer a verdade para o chefe ou inventar que sua querida tia-avó Leonora faleceu no final de semana, o que fazer? Um pesquisador canadense pesquisou o assunto por 05 anos, e chegou a conclusão que 95% das pessoas do mundo são procrastinadores ativos. Olha, sinceramente queria conhecer estes 5% que nunca deixam uma atividade para depois, porque esses devem ser verdadeiras máquinas, com seus cérebros perfeitamente esquematizados (e provavelmente uns grandiosos chatos).

A palavra vem do latim procrastinare, que é a união do prefixo pro (encaminhar) e castinus (amanhã). Ou seja: enrolar. A população da Roma antiga já utilizava o termo. Na época, o ato de procrastinar parecia refletir a noção de que, o adiamento da ação ou da tomada de decisão, poderia ser algo necessário e até sábio. Provavelmente porque implicava um processo de tomada de decisão complexo, o qual se opunha a comportamentos impulsivos. Pode até ser verdade, se aplicada de uma forma produtiva, a procrastinação serviria para que nossas decisões fossem feitas a partir de uma reflexão maior, nossos trabalhos seriam cumpridos nos momentos mais oportunos... mas havia uma coisinha que os pensadores da antiguidade estavam longe de saber, e que fez a procrastinação se tornar-se uma vilã do século XXI: A internet.

Internet: A maravilha do procrastinador

A realidade é que a procrastinação nunca foi tão presente em nossas vidas desde que o acesso ao mundo virtual tornou-se um costume diário de boa parte da população.Com a internet, ficou irresistível não enrolar. Pelo computador, temos acesso imediato e quase gratuito a uma indústria infinita de entretenimento, vídeos, blogs, redes sociais. "A internet é muito positiva para mim pois abre as janelas do mundo, você pode pesquisar qualquer coisa e ficar atento em tudo que está acontecendo, ter idéias novas. Mas também sei que perco muito tempo conversando com amigos no Facebook e no MSN, enquanto eu poderia estar usando esse tempo para estudar ou fazendo qualquer outra coisa mais produtiva", indica o estudante de direito Marco Zannon, 25 anos.




As pessoas tendem naturalmente a procrastinarem a dieta, a arrumação dos armários, relatórios, estudos, check-up médico, entrega da declaração do Imposto de Renda (mais da metade dos contribuintes entrega a declaração nos últimos dias, apesar do prazo de dois meses para isso) e outras coisas que, convenhamos, podem ser bastante aborrecedoras. Por outro lado a maioria das pessoas não deixa para depois a realização de atividades prazerosas, tais como comer, beber, transar, assistir filmes, ouvir música e assim por diante. Jogar um futebolzinho com amigos não é procrastinado, enquanto fazer o mesmo esforço físico em academia de ginástica tem uma enorme chance de ser protelado. Psicologicamente, os prazeres valorizam o agora: vadiar primeiro e trabalhar depois. Atender às obrigações requer um empenho especialmente motivado por conceitos culturais do dever.

Outro motivo para trabalharmos sempre enforcados pelo prazo pode ser justamente ele: o prazo. Com uma rotina onde nos acostumamos com datas-limite para entregar ou realizar trabalhos, a procrastinação surge como uma espécie de luta entre o tempo psicológico, estabelecido pelos nossos desejos, e o social, marcado pelo relógio. " Neste momento sou um exemplo vivo da procrastinação, pois tenho trabalhos para entregar amanhã de manhã e, por mais que tenha tido um bom tempo para fazê-los durante a semana, só no dia da véspera fui me agilizar para finalizar tudo. Acho que postergo muitas das coisas que tenho pra fazer por insegurança, em uma descarada transferência de responsabilidades para o acaso. Se alguma coisa sair errado na tarefa que eu tenha que cumprir, posso dizer para mim mesma que a culpa foi da falta de tempo", explica a estudante de biologia Fabrícia Labarte. Mas ainda que entenda que a procrastinação possa significar improdutividade, Fabríciapensa que o fato de trabalhar sobre pressão, com a adrenalina da urgência, acaba sendo também um ponto de motivação. "Esse é um hábito que da graça para a vida, até porque ser muito controlado e organizado pode tornar as pessoas chatas demais. Eu tive um ex-namorado que era assim, e dio que prefiro ter um cérebro desorganizado do que me tornar uma pessoa neurótica em relação a tudo", ressalta a estudante.

E agora, o que fazer?

De acordo com a psicóloga Rânia Dalpiaz, o ato de procrastinar acompanha o ser humano desde os tempos mais remotos, quando começamos a nos responsabilizar por um maior número de atividades. Mas hoje em dia, este hábito pressupõe "O fato é que muitas vezes as pessoas deixam as coisas para a última hora pensando que, num momento futuro mais oportuno, haverá um envolvimento maior na tal tarefa. É como se fosse uma idealização do tempo futuro em detrimento do tempo presente, mas ir empurrando as responsabilidades para depois acarreta em uma pressão maior ainda com os prazos, além de estimular sentimentos de stress, ansiedade e angústia". A psicóloga ainda indica que, na era digital contemporânea, nos deparamos com uma carga muito maior de informações, e por isso as pessoas tem maior dificuldade em gerir seus próprios compromissos. "Muita gente gasta tempo demais apenas pensando em muitas tarefas, sem se preocupar neste processo com a própria organização. Uma medida interessante, e que pode atenuar o problema da procrastinação, seria a elaboração de alguma agenda pessoal definindo prioridades, pois a partir da visualização do que deve ser feito acaba se estabelecendo uma melhor organização mental. E aquelas tarefas maiores, que exigem grande disposição e concentração, muitas vezes podem ser divididas por etapas. Pondo-se em mente objetivos mais realistas, aumentam as chances de uma maior satisfação pessoal em relação as tarefas e reduz-se o stress e ansiedade decorrente do aperto com horário", conclui Rânia.

Pois então, além das valiosas dicas da psicóloga Rânia, aqui vão algumas outros truques para você chutar a procrastinação para escanteio. Aprenda a dizer não! Se você tem algum trabalho importante para fazer, ou têm que estudar para uma prova complicada no dia anterior, convenhamos que este não é o melhor momento para aceitar o convite dos amigos para umas inocentes cervejinhas (e voltar para casa completamente bêbado sem condições de fazer nada...). Não reclame da falta de tempo, faça agora! Você está enrolando e diz para si mesmo: “deveria estar fazendo o trabalho agora, sou um vagabundo”. Ao invés disso, corte o mal pela raiz, e inicie a tarefa imediatamente. Não seja tão perfeccionista! Muitos procrastinam porque exigem tanto de si próprios numa tarefa que acabam com medo de enfrentá-la. O melhor é ter consciência de suas limitações e habilidades para o trabalho. Veja o lado bom das coisas! Mesmo aquelas tarefas mais chatas têm seu lado bacana. Lavar a louça, por exemplo, envolve brincar com a água! Concentre-se no que a tarefa tem de legal, que, assim, fica mais fácil encará-la. Bem, e agora que você já sabe um tanto o que é procrastinação, como esse hábito acontece e o que fazer para evitá-lo.... Pare de ler essa matéria e vai fazer o que você tem para fazer!!

*Ideia roubada da revista 3x4 (edição 2011/1). Com informações de Super Interessante, Psyqweb e BBC Brasil

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Charles Bukowski


Charles Bukowski, born in 1920, began writing at a young age and was first published in the 1940s. Then Bukowksi gave up writing for the world of work and bars, not publishing, not writing, so the myth goes, for nearly twenty years. Ten of those years were spent roaming from odd job to odd roominghouse from the East coast to the West. The other ten years, Bukowski worked for the United States Postal Service in Los Angeles, a job that took no effort except for the strength to show up and the patience to perform mindless operations. During that time, his life bordered on insanity and death, two prevalent themes in his writing. According to his own myth making, Bukowski returned to writing the day that he quit the Postal Service, but his bibliography shows that indeed, he had been publishing several years before that.



Freedom


he drank wine all night of the
28th, and he kept thinking of her:
the way she walked and talked and loved
the way she told him things that seemed true
but were not, and he knew the color of each
of her dresses
and her shoes-he knew the stock and curve of
each heel
as well as the leg shaped by it.

and she was out again and when he came home,and
she'd come back with that special stink again,
and she did
she came in at 3 a.m in the morning
filthy like a dung eating swine
and
he took out a butchers knife
and she screamed
backing into the rooming house wall
still pretty somehow
in spite of love's reek
and he finished the glass of wine.

that yellow dress
his favorite
and she screamed again.

and he took up the knife
and unhooked his belt
and tore away the cloth before her
and cut off his balls.

and carried them in his hands
like apricots
and flushed them down the
toilet bowl
and she kept screaming
as the room became red

GOD O GOD!
WHAT HAVE YOU DONE?

and he sat there holding 3 towels
between his legs
no caring now whether she left or
stayed
wore yellow or green or
anything at all.

and one hand holding and one hand
lifting he poured
another wine

sábado, 6 de agosto de 2011

Amy Winehouse e a maldição dos 27


*publicado no jornal A FOLHA



No dia 23 de julho, o mundo deu adeus a cantora Amy Winehouse. A inglesa morre para se tornar uma mártir, ícone de uma juventude rebelde e confusa. Uma artista ousada, polêmica, com sua voz indiscutivelmente marcante, uma diva do jazz branca. Mas para os fãs do rock, uma constatação que volta a roda é irresistível de ser debatida: mais um gênio da música pop que se vai aos 27 anos de idade, bem como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e Kurt Cobain. A mídia já coloca Amy Winehouse neste rol de notáveis. Mas seria realmente justo alinhar Amy com tão marcantes nomes? Bem, vou tentar, humildimente, expressar um pouco sobre o que penso (e o que a história conta) sobre estes ícones que marcaram gerações pela genialidade, abusos e polêmicas.

Jimi Hendrix



Quatro deles (Hendrix, Joplin, Morrison e Jones) marcaram o rock dos anos 60, fase da verdadeira revolução musical, da genialidade criativa que abriu as portas para quase tudo que virou têndencia para música pop em todas as gerações posteriores (na minha opinião, pelo menos). Jimi Hendrix praticamente dispensa comentários. Frequentimente considerado o maior guitarrista de todos os tempos, personificava seu instrumento de uma maneira nunca antes vista, quase mágica. Amplificadores distorcidos, abuso nos efeitos e o pedal wah-wah, que Hendrix tratou de popularizar, faziam com que sua guitarra psicodélica parecesse cantar em conjunto com sua voz espacial. Muito das raizes da música eletrônica se viram quase que premonidas em Jimi. O ícone da sociedade hippie, se vestia como que preparado para uma multicolorida guerra de sons, desafiando um sistema conformista com a qual não concordava. Ele dizia que "o inefável prazer de viver não se experimenta, enquanto não começamos a olhar nossa vida como principal dos trabalhos que devemos empreender". Hendrix exaltava a loucura, vivia espontaneamente, não ligava para os excessos, inclusive no consumo de drogas. A despeito disso, era um perfeccionista notório, buscava tirar o máximo de si mesmo em cada uma das suas inúmeras gravações e apresentações.

Grande estrela do festival de Woodstook em 69, protagonizou neste espetáculo aquele que talvez seja o grande momento da música pop contemporânea. Sua guitarra como uma metralhadora, a execução quase totalmente improvisada (e regada por altas doses de LSD) é descrita por muitos como a declaração da inquietude de uma geração sedenta por mudanças na sociedade, e por outros como uma gozação antiamericana, estranhamente simbólica da beleza, espontaneidade e tragédia que estavam embutidas na vida de Hendrix. Enfim, realmente não me sinto confortável tentando explicar Hendrix em tão poucas palavras, não é justo. Ele foi encontrado morto no apartamento de uma namorada, asfixiado pelo próprio vômito após uma suposta overdose de calmantes.


Brian Jones




Muitas pessoas cultuam os Rolling Stones como uma das grandes bandas de todos os tempos, um marco da rebeldia e vitalidade musical. Difusores dos ideais de "foda-se o que o mundo diz, eu vou ser do meu jeito", viraram símbolo do popular jargão "sexo, drogas e rock'n roll". Enfim, os Rolling Stones são dos dinossauros mais arrepiantes do rock, e ainda que seja inegável o protagonismo de Mick Jaeger e Keith Smith nessa história, nada disso teria acontecido se não fosse Brian Jones. Foi Jones que começou com tudo em 62, ao chamar Keith e Jaeger para formarem uma banda, e foi dele a idéia do nome, Rolling Stones, baseado em uma canção do gênio do blues Muddy Waters. Embora não tivesse o brilhantismo para compos canções como seus parceiros de banda, Brian era conhecido pela sua versatilidade musical, tocando vários instrumentos diferentes, ainda que se tenha notabilizado como guitarrista. Sua extravagância musical fez com que os Stones se diferenciassem, e ajudou a formar o estilo musical que vigorou com a banda, incorporando no rock desde a gaita de boca até a cítara indiana, xilofone, harpa, acordeon e banjo. Mas Brian Jones pouco a pouco foi perdendo espaço dentro dos Rolling Stones devido aos seus excessos com as drogas, até ser definitivamente afastado em 1969. Menos de um mês depois, Brian foi encontrado afogado na piscina de sua casa, em circunstâncias que até hoje não ficaram esclarecidas.

Janis Joplin




Chamada de rainha do rock'n roll, dona de vocais tão roucos e estridentes que expressavam aos berros a paixão, o não-conformismo e o sofrimento de uma mulher atormentada pelo tradicionalismo de uma sociedade careta. Janis Joplin proclamava em suas canções o amor por uma vida fulminante, estabelecia suas próprias regras, e tornou-se simbolo da liberdade feminina que vinha sendo conquistada nos anos 60."É melhor viver dez anos de uma vida efervescente do que morrer aos setenta e ter passado a vida assistindo TV", já dizia Janis. E se hoje Amy Winehouse é cultuada, deve muito disso ao mito que Janis Joplin foi. Sua música foi movida pela mistura de vários generos, incorporando corajosamente o soul, o blues e o folk ao movimento do rock psicodélico. Cantava a dor, as perdas e a sensualidade como só uma mulher poderia fazer. Sua vida sempre foi marcada pelos abusos de álcool e drogas, o que retardaria o seu sucesso por alguns anos.

Janis se incorporou a famosa comunidade hippie de Haight-Ashbury, na Califórnia, e alcançou o sucesso em definitivo em 1968, com o álbum "Cheap Trills", que contava com uma de suas canções de maior sucesso, "Piece of My Heart". Mas Janis Joplin nunca se sentia satisfeita, passava de banda em banda em busca de liberdade musical e uma sintonia perfeita. A cantora fez exibições marcantes no badalado Festival pop de Monterrey e em Woodstook. Janis também esteve no Brasil em 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada por aqui, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa. Foi encontrou morta em um quarto de hotel de Los Angeles, vítima de overdose de heroína combinada com efeitos do álcool, pouco antes de finalizar seu álbum "Pearl".

Jim Morrison



Jim Morrison foi um enigma indecifrável, e tornou-se um mito comportamental que supera gerações. Lider da emblemática banda de rock psicodélico The Doors, ele cantava o misticismo, a estranheza em relação ao mundo e a espera pela morte, ao mesmo tempo que se incendiava no palco por uma paixão alucinada pela vida. Morrison era um fascinado pelas sensações e energias do mundo, um rebelde-intelectual-curioso que buscava expandir ao máximo as diferentes possibilidades de percepções sobre a vida. Formado em cinema, devorador de livros e poeta, sua voz grave de barítono e genialidade com as palavras o levaram a formar a banda em 1965, com seu colega (e monstro dos teclados) Ray Manzarek. Não demorou muito e o the Doors foi alçado ao sucesso, com aquele que até hoje é seu maior hit, "Light my Fire".

A banda ganhou reputação por suas performances ao vivo polémicas. Com a sua presença em palco e as calças justas, Morrison tornou-se um sex symbol, um poeta do sexo, embora depressa tenha se cansado desta condição de estrela. Com seu jeito despreocupado e poderoso de cantar, fazia de sua música um louco carnaval, que entretanto foi sendo marcada por sua crescente instabilidade. Morrison mostava o pênis durante shows, enfrentava bêbado e entorpecido a polícia no palco. Ele era um beberrão dos bons, virava garrafas de uísque como se fosse água, além de ter se envolvido com todo tipo de droga, principalmente o LSD. O ácido (bem como os chás alucinóginos), ele dizia, lhe abria diferente portas da percepção, realidades paralelas, lhe aproximava das diferentes sensações que pareciam dar a Morrison um sentido especial de existência. Mas Jim se sentia próximo da morte, como se tivesse esperando o seu momento de partir, profetizando poeticamente esses sentimento em canções como "The End". Morreu em Paris, dentro de uma banheira, supostamente por overdose de heroina, embora as circunstâncias de seu último suspiro sejam desconhecidas. Rumores indicam, inclusive, que Morrison teria forjado sua morte, para fugir dos holofortes e finalmente viver sua vida em paz, escrevendo sua poesia anônimo.

Kurt Cobain



Muito depois dos mágicos anos 60, com seus ideais de revolução, paz e amor e rebeldia de uma geração que ansiava por mudanças sociais e por uma existência mais livre, vieram os anos 90. E a sonhada liberdade veio, mas sufocada pelo crescimento de novos conceitos como globalização, capitalismo selvagem, divórcio, publicidade ostensiva, depressão. O mundo foi sendo conquistado pela televisão, a sociedade virava uma geleia muito complexa e polimorfa, cada vez mais burocratizada e estressada para ser entendida. A informação vinha em turbilhões muito grandes para ser digerida pela mente de uma geração de jovens que não encontravam seus rumos na vida, individualizados e amargurados pela própria confusão de suas mentes. Neste contexto, surge um fenômeno que cantava a desilusão com relação a essa novo panorama, baseado em valores tão distorcidos. Despontava Kurt Cobain, lider da banda Nirvana e precussor do movimento grunge nos Estados Unidos. Ele foi um dos principais ícones da quebra de fronteira entre o comercial e o alternativo na música, trazendo a popularidade do underground, mostrando de forma lírica o lado amargurado de uma geração carente de ídolos.

O Nirvana alcançou a fama de vez com seu segundo e antológico álbum, "Nevermind", que contava também com os hits de maior sucesso da banda, "Smell Like Teen Spirits" e "Come As You Are". Além do ritmo considerado barulhento e desleixado do grunge, uma fusão do punk rock com o indie e hardcore, a música de Cobain era minada de angústia e sarcasmo, reforçando assuntos como a alienação social, apatia, confinamento e desencantamento geral com o estado da sociedade. E a nova juventude transviada dos anos 90 se identificava com suas marcas de ironia, sarcasmo, revolta, desespero, sentimento de inferioridade e ao uso de drogas. Kurt abusava no consumo de heroína, e chegava a dizer que apenas o consumo da droga anulava as constantes dores de estômago que lhe afligiam. Ele também se sentia frequentemente perseguido pela mídia, que estaria mais interessado em falar de sua vida privada do que analisar as visões político-sociais que sua banda tocava. Cobain era uma voz de peso na luta contra a homofobia, o sexismo e o racismo. Mas o líder do Nirvana sentia o peso da fama, e dizia publicamente que não sabia como lidar com essa situação. No final de sua vida, sentia-se também impotente criativamente, deprimido e até assustado frente as pressões advindas de seu extrondoso sucesso. Sua agonia mental e paranóia decorrente do abuso de heroína finalmente culminaram em sua desistência pela vida. Kurt Cobain então se suicidou, em sua casa, com um tiro de espingarda na cabeça.


Amy Winehouse e uma conclusão para isso tudo...

Particularmente não gosto de comparações, acho que cada pessoa no mundo tem o seu papel que é único, uma essência própria e inimitável. Ainda assim, após a apresentação destes grandes nomes do rock, mortos na juventude de seus 27 anos, vale fazer uma análise, ao menos para tentar compreender todo o barulho causado pela morte de Amy Winehouse. Quais as razões que tornariam a cantora num ícone depois de morta?

Se os parâmetros forem número de discos, habilidade musical, criatividade ou quantidade de fãs, não encontramos nada de tão diferenciado em Amy Winehouse. A cantora lançou apenas dois álbuns, "Frank" e."Back to Black". Jimi Hendrix, por exemplo, a despeito de sua agitada agenda de shows, perfeccionismo e genialidade com a guitarra, produzia ainda música frenéticamente, e deixou mais de 300 gravações inéditas depois de morto. Tecnicamente, Amy era uma boa cantora, alcançava timbres realmente lindos, mas há outras divas com vozes mais potentes, devastadoras. A própria Janis Joplin era um monstro inquestionavel nesse quesito. Da mesma forma, Amy não era uma instrumentista qualificada, como Brian Jones, ou uma poeta enigmática e densa como Jim Morrison. Ainda dá para citar vários popstars muito mais populares. E, vale frisar, ter uma vida marcada pelo abusos astronômicos de drogas pesadas não é um ponto a ser vangloriado, representando no máximo a aceleração de uma sentença de morte (ainda que algumas drogas, se consumidas da maneira correta, possam realmente aguçar sensivelmente a capacidade criativa do artista).

Mas seria uma miopia avaliar a importância de Amy Winehouse apenas por esses critérios. É ingenuidade acreditar que música pop limita-se apenas à música. Pop é música, imagem, performance e, é claro, o que o artista faz e fala fora do palco. E, nesse sentido, Winehouse era uma popstar única deste século 21. Sua influência na música de hoje também é indiscutível. Ela capitaneou, no início dos anos 2000, uma revitalização da soul music. Foi seguida e copiada por um grande número de cantoras e cantores. Até mesmo gente reconhecida, que estava na estrada há mais tempo, como Beyoncé e Madonna, olharam com grande respeito para Amy Winehouse.

Vivemos uma era musical muito diferente dos anos 60, hoje os artistas que estão nos holofortes são cercados por uma manada de executivos de gravadoras, assessores, agentes, produtores de marketing. Vivem em uma bolha e se expõem calculadamente. Winehouse, não. Nunca se importou de ser simpática com jornalistas para ganhar elogios em reportagens e críticas. Não escondia seus vícios e atitudes e não se importava em ser constante vítima de patrulhamento moral. Colocava sua vida em canções como “Rehab”, “Back to Black”. Assim, o que cantava era algo real, palpável, e não uma abstração. Amy Winehouse não era uma popstar comum. Sim, em muitos de seus show ela aparecia completamente drogada, mal conseguia se manter em pé, se perdia constantemente nas canções. Mas Amy era genuína, algo raro no pop, e todos sabemos que, se ela não está bem no palco, a culpa não é a falta de talento.

Enfim, Jimi Hendrix, Brian Jones, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain. Todos eram realmente muito loucos, viviam suas vidas espontâneamente, eram ícones não só no quesito músical, mas também no comportamento, expressavam sua genialidade cada um a sua forma. Abusavam dos prazeres da vida, da paixão, dos medos, da liberdade, das drogas, da revolta. Todos estavam dispostos a extrapolar seu limite, aceitavam a confusão de suas almas mas mesmo assim mantinham-se genuínos até o final, ainda que este final tenha se dado de forma prematura. Por isso na minha opinião são martires sim, das incertezas, anseios e sonhos de suas gerações, e por isso seguem marcando a música até hoje... Mas e a Amy Winehouse, afinal de contas, pode se juntar a esse grupo tão bacana, esses sonhadores que morreram aos 27 anos? Pois digo que Amy é muito bem vinda sim (ou, pelo menos, tem o meu voto)!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bem vindo, Sudão do Sul!


Com um olhar preocupante da comunidade internacional, nasceu o 193º país do planeta. No último sábado, dia 09 de julho de 2011, o Sudão do Sul proclamou-se independente. Esse evento põe fim a mais de 40 anos de guerra civil entre o norte e o sul do Sudão, num entrevero caótico de conflitos religiosos, étnicos e pelo abundante petróleo da região sul. O novo país africano partilhará com Somália e Afeganistão os piores indicadores sociais do mundo. A população local está em festa, esperançosa por mudanças, mas o Sudão do Sul terá imensos desafios pela frente. Infelizmente, sua história escrita pelo sangue de milhões é um exemplo de o quanto o ser-humano ainda é capaz de se exterminar por conta das diferenças, ao invés de compreender que são as diferenças que fazem do planeta um lugar tão interessante.


Uma história de exploração e massacres

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até geograficamente. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais. No século VII, durante o período da expansão islâmica na África, o país foi tomado pelos muçulmanos. O sul escapou, no entanto sua população foi frequentemente explorada por caçadores de escravos. Nos séculos XIX e XX, o Sudão foi completamente dominado por egípcios e britânicos, apenas conseguindo alcançar sua plena libertação dos ingleses em 1956, durante a onda de descolonizações africanas. País dividido entre cristãos e muçulmanos, o Sudão é importante fonte de matérias primas estratégicas. Em função da proclamação da independência, iniciaram-se choques entre habitantes do Norte, árabes e islâmicos, e do Sul, predominantemente negros e não islâmicos.

Foram duas guerras civis entre o norte e o sul, com a parte sul sempre buscando maior autonomia regional em relação ao norte islâmico. Na Primeira Guerra Civil, meio milhão de pessoas morreram durante 17 anos de guerra, entre 1955 e 1972. A Segunda Guerra Civil Sudanesa foi ainda mais sangrenta. Ocorrida de 1983 a 2005, teve início quando o governo muçulmano do norte tentou impor a Charia (legislação islâmica baseada no Corão) em todo o país, inclusive no sul, onde a maioria da população é cristã e animista. O conflito deixou aproximadamente dois milhões de mortos e outros três milhões de refugiados.



Em 2005, 21 anos após deflagrada a guerra civil, foi assinado um Acordo Abrangente de Paz, que poria fim ao conflito e estabeleceria a paz entre os rebeldes do Sul e as forças governamentais e milícias do Norte. No entanto as agressões continuaram a ocorrer, apesar do sucesso das negociações, principalmente na Região de Darfur (ler próximo tópico). Em 2005, também foi assinada a Constituição do Sudão do Sul, que previa a realização de um plebiscito para decidir sobre a soberania do país ou sua permanência dentro do Sudão.

Em janeiro de 2011 o plebiscito foi realizado, e 99% da população local decidiu sobre a independência do Sul do Sudão em relação ao Norte. Na última sexta-feira (08), o presidente do Sudão, Omal Al-Bashir, reconheceu a independência do Sudão do Sul e a proclamação oficial finalmente ocorreu no sabado, dia 09 de julho de 2011. Apesar da independência, as fronteiras entre os dois países ainda não foram totalmente definidas.


O genocídio de Darfur

Concomitantemente, em meio a sangrenta guerra civil que dividiu o país entre muçulmanos e não muçulmanos, outro grave confronto eclodiu no Sudão por motivos políticos, e virou guerra entre árabes e negros. O conflito principiou em fevereiro de 2003, na região de Darfur, rica em petróleo, também no sul do país. O ponto de partida da ofensiva foram os rebeldes negros que lutam pela separação de seu território, afirmando que o governo a qual eram subordinados agia representando apenas a elite árabe. Darfur é composta quase totalmente por negros, com atividade econômica ligada à produção de agricultura de subsistência e uma restrita parcela de nômades que criam animais.O governo sudanês respondeu de forma violenta e repressora as ofensivas dos rebeldes separatistas. Apoiados pela milícia dos árabes que habitavam o local (chamados de janjaweed), o governo esperava acabar com os rebeldes que eram de religiões e etnias diferentes.

A mídia vem descrevendo o conflito de Darfur como um caso de limpeza étnica e de genocídio. Há acusações de violações dos direitos humanos, inclusive assassinatos em massa, saques e o estupro sistemático da população não-árabe do Darfur. A maioria das ONGs trabalha com a estimativa de 400 000 mortes no confronto desde 2003. Têm sido assinados alguns acordos de paz entre as diferentes facções em conflito, mas estes nunca respeitados. Nem a presença no terreno de uma força de paz enviada pela ONU consegue manter a segurança, e o genocídio continua.

Atualmente o Sudão enfrenta uma severa crise humanitária. Todo o poder da nação está concentrado nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir, que está no comando desde um golpe militar em 1989. O presidente é acusado de patrocínio a crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Al-Bashir foi acusado de ter "planejado e implementado o extermínio" de três grupos tribais em Darfur por motivos étnicos.



O contexto do novo país

O Sudão do Sul nasce com um triste recorde: é o lugar no mundo onde mais morrem grávidas e recém-nascidos, além de quase 90% das mulheres serem analfabetas. A AIDS se espalha como epidemia. Levará muitos anos até que o Sudão do Sul possa deixar de depender da assistência internacional. Existe carência de tudo: hospitais, escolas, esgoto, iluminação, polícia. Ainda assim, as pessoas estão otimistas, pensam que a vida vai melhorar da noite para o dia com a independência, depois de décadas de guerra. Mas tamanho otimismo não ilustra bem a cruel realidade.

O fornecimento de água é administrado por empresas privadas através de caminhões tanque, que percorrem as cidades enchendo reservatórios particulares. Ao menos metade da população do país não tem acesso a água potável. A mobilidade é outra das carências do sul do Sudão. Fora da capital, Juba (que possui umas poucas ruas pavimentadas) não há mais que estradas de terra, o que dificulta o trabalho das ONGs que atendem os povoados. Nos últimos meses, começaram a retornar muitos dos refugiados que deixaram o país durante a guerra civil, e muitos outros seguirão chegando com a independência. O aumento da população pode acabar agravando a já frágil situação da região, que terá que se construir a partir do zero.

Vital para a construção do Sudão do Sul é superar a insegurança interna. Em 2011, ao menos 1.800 sul-sudaneses morreram e 150 mil foram deslocados após renovados conflitos na fronteira, segundo a ONU. Disputas por terras e reservas de petróleo nas regiões fronteiriças de ainda trazem instabilidade ao novo país. O sul abriga 80% do petróleo sudanês, mas depende das refinarias do norte para exportar. Os Estados Unidos são o principal ator internacional no país e investem em infraestrutura, para fazer frente à presença chinesa no norte. A ONU já aprovou uma força de paz para o Sudão do Sul, com 7.900 homens.

O Brasil saudou a independência do Sudão do Sul prontamente. O reconhecimento de Estado e de Governo do novo país pelo Brasil foi efetuado no mesmo dia, mediante o estabelecimento de relações diplomáticas. O país reiterou, ainda, sua disposição em cooperar e em auxiliar o novo país a alcançar seu pleno desenvolvimento. Assim seja!



*com informações dos sites Wikipédia, Estadão, Arca Universal, G1, BBC Brasil e Reuters