Despertei um dia, via que chovia mas sentia que não podia.... nada podia, nada seria, apenas sonho viria
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
finita est
A velha casa, tão grande, com todo seu espaço e solidão. Toda sua loucura, as alegrias, seus sussurros flutuando numa brisa mística. Os pensamentos, as memórias antigas, os sentimentos mortos, as idéias mortas, as pessoas mortas. Entre o passado e o futuro existe uma lacuna, que se perde na vastidão da sala fria, durante o frio do inverno, em frente à lareira com seus restos de lenha carbonizada. Tantas lufadas de estranhos sentimentos minguando nos últimos raios de sol, mais um crepúsculo mágico em seu adeus. Suspiros que vêm do fundo da alma, o medo do desconhecido, a saudade de tudo o que fica para trás com a excitação que brota na eminência da partida. Partir para tão longe, longe de amigos e amores, ficar só com as memórias e cultivar os bons sentimentos. Pois se levam na bagagem apenas as melhores recordações, cada sorriso que virou poema, cada poema que virou gente. Tudo guardado com carinho até o reencontro, um dia desses, não muito longe.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O hipnótico chamado de Posseidon

Aquele som que emana das raízes do planeta, o chamado incessante de Poseidon que, com seu tridente em mãos, vai orquestrando a bela sinfonia dos mares. Um maestro imprevisível, seu temperamento vai coordenando os ventos e correntes harmoniosamente. Assim, formam-se pelo mundo todo incríveis e diferentes ondas, no vaidoso gesto em que Poseidon exibe aos meros mortais a beleza de sua criação. E seu chamado perdura, o tranqüilizante som que vêm do oceano e entra em nossos tímpanos, hipnotizando a mente do surfista com imagens de tubos perfeitos. Neste ponto, já não há meios para resistir.
São 16h da tarde de uma fria quarta-feira de inverno em Torres quando os deuses do mar me chamam para brincar em seu playground. O termômetro marca 16 graus e, mesmo que o sol brilhe no céu aberto, a visão de meu velho e furado long, com seus sete anos de exaustivo uso e ainda por cima molhado pelo surf do dia anterior, me causam calafrios na espinha. Mas eu sei que vale a pena, sempre vale. Me enfio rapidamente dentro da roupa de borracha encharcada, pego o bodyboard, o pé-de-pato e saio correndo de casa em direção a orla. Cruzo as dunas da Praia Grande dolorosamente, enquanto roseiras vão se fincando nos meus pés sem ao menos terem sido convidadas. Estas dunas que, por sinal, cada vez mais vão se estabelecendo como um novo habitat ecológico de Torres, atraindo novos animais e formando açudes em conjunto com a vegetação nascente. Mas voltando ao surf, passo as dunas e enfim encaro a imensidão do mar, onde as ondas de até um metro parecem uma charada entregues a sorte do vento norte que sopra. Faço meu alongamento e então entro na água.
Entrar na água gelada do inverno é sempre um arrepiante desafio e, quando submerso para o primeiro mergulho, meu rosto parecer estar literalmente queimando de tanto frio. Mas eu sei que vale a pena, sempre vale. Vou remando pacientemente rumo ao outside, enfrentando a força das ondas com os chamados “joelhinhos”, e aproveito os momentos de maior calmaria para avançar no perímetro. Às vezes o mar me parece como um cavalo selvagem, nunca se sabe ao certo se ele vai se deixar ser domado ou não. Por isso é preciso ter persistência quando ele se mostra revolto, continuar tentando vencer a série para, depois, aproveitar o prêmio deslizando mansamente nas harmoniosas curvas do oceano. Enfim alcanço o outside, e vão se descortinando sobre mim ondas com uma boa formação, melhor do que a primeira observação do alto das dunas indicava. Vem a série e dropo minha primeira onda, que vai se enrugando, ficando cada vez mais cavada. Posiciono-me para o tubo e a massa de água se dobra sobre mim, me envolvendo no seu interior em uma sincronia perfeita. Eis o tubo, momento de maior magia no surf, quando o homem e o mar se tornam uma mesma coisa, uma energia que flui de todas as coisas boas da vida. O tubo que vai rodando hipnótico, os raros segundos onde podemos ver o mundo com os olhos da natureza, enquanto o ronco do mar vibra de alegria. Não importa que a onda me engula antes do fim, que a vaca me faça virar cambalhotas e mais cambalhotas embaixo d’água. Sempre vale a pena, sempre é um novo milagre.
Mais ondas vão mostrando suas linhas para mim, enquanto eu lentamente vou sendo levado pela corrente em direção a Prainha. Dropo mais uns dois tubos suicidas, me atiro rolando contra o lip da onda para aterrisar em algum rolo. No mar, toda a desilusão é esquecida, todas as preocupação se extinguem, só existe o surfista com a sua paz, e a certeza de que Deus existe e é bom. Atrás de mim, o céu do final de tarde vai se derretendo numa aquarela com todas as cores do arco-íris, enquanto o surreal sol que se põe parece uma alaranjada bola de fogo brincando de esconde-esconde com os prédios mais altos da cidade. Alguns minutos se passam, a água vai ficando cada vez mais congelante, o mar vai se encrespando. Decido que, enfim, é chegada a hora de partir. Escolho com carinho a minha última onda do banho, pego uma direita meio cheia e vou desenhando-a com giros de 360 graus, me deixando levar suavemente pelas espumas até a orla da Prainha. Os últimos vestígios do dia vão se apagando, e eis que surge no céu Vênus, a Estrela d’Alva, primeira e mais brilhante estrela do firmamento, como uma bússola que vai me indicando o caminho para casa. Vou caminhando pelas areias brancas observado por aves marinhas, ouvindo a apaziguadora voz do oceano e com aquela ótima sensação de dever cumprido, a própria consciência se alegra. Porque valeu a pena, o surf sempre vale à pena.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O surf

A restrita bibliografia sobre o surf aponta que seu surgimento é originário das Ilhas Polinésias, através dos povos nativos e em virtude de sua própria cultura de subsistência, no caso a pesca. Mais tarde, porém, nas ilhas do Hawaii, o surf começou a ser praticado pelos antigos reis havaianos com pranchas feitas de madeira, e lá se consolidou. Reza a lenda que, no século IX, um rei taitiano chamado Tahíto Moikeha ficou sabendo da existência das ondas mais perfeitas do planeta no Hawaii, e então decidiu se aventurar pelos mares rumo ao seu destino de surfista errante. Quando finalmente aportou na ilha de Oahu, Moikeha encontrou em Kauai as ondas perfeitas que procurava. Ao surfar, impressionou as duas filhas do rei de Kauai, que o consideravam como um deus que pairava sobre as águas, e com as duas acabou se casando, tornando-se rei de Kauai. Desde então, o surf se instalou nas raízes culturais, artísticas e religiosas dos povos das ilhas havaianas.
Outros relatos dão conta de que, muito antes deste ocorrido, antigos povos peruanos já se utilizavam de uma pequena espécie de canoa, confeccionada de junco, para deslizar sobre as ondas. Como, etnicamente, existe a possibilidade de que os primeiros havaianos tenham sido descendentes dos Incas, que se aventuraram pelo Pacífico em suas enormes canoas, a história até faz algum sentido. Porém, entre mitos e lendas, o primeiro relato concreto da existência do esporte foi feito pelo navegador inglês James Cook, em 1778, que aportou no Hawaii e descobriu o surf para o mundo, ao relatar a prática em seu diário. Na época, o navegador gostou do esporte por se tratar de uma forma de relaxamento com grande mística espiritual, mas as igrejas protestantes desestimularam por mais de cem anos a prática de surfe, pois suas raízes estariam ligadas a hábitos pagãos. Os nativos havaianos possuíam um complexo ritual religioso para a fabricação das suas pranchas, e consideravam as ondas e os prazeres de brincar nas águas do oceano uma dádiva divina.
O reconhecimento mundial veio apenas com o campeão olímpico de natação e pai do surfe moderno, o havaiano Duke Paoa Kahanamoku. Ao vencer os jogos de 1912, em Estocolmo, o atleta disse ser um surfista e passou a ser o maior divulgador do esporte no mundo. Com isso, o arquipélago e o esporte passaram a ser reconhecidos internacionalmente. Na década de 1950 o esporte popularizou-se na costa oeste dos Estados Unidos, tornando-se uma mania entre os jovens, principalmente nas praias do estado da Califórnia.No Brasil, as primeiras pranchas, então chamadas de "tábuas havainas", foram trazidas por turistas. Em 1938, surge aquela que é, provavelmente, a primeira prancha brasileira, feita pelos paulistas Osmar Gonçalves, João Roberto e Júlio Putz, a partir da matéria de uma revista americana, que detalhava medidas e o tipo de madeira a ser usada. Pesava então 80 kg e media 3,6 m. As primeiras pranchas de fibra de vidro, importadas da Califórnia, só chegaram ao Brasil em 1964.
sábado, 17 de julho de 2010
A laranja e as calamidades

Amanhecer sombrio no vale de Kratëas, na Eslováquia, onde esconde-se o pequeno vilarejo de Lotanek. Thörek, o marceneiro, sente o sopro do vento fluindo por detrás das montanhas geladas, e então um arrepio estranho corre por sua espinha. Um mau pressentimento passou por sua mente amargurada, sensação que o marceneiro só havia sentido uma vez na vida, pouco antes da morte de seu filho único, há três anos. Eis que surge um estrondo oculto por detrás da forte neblina, seguido pelo primeiro e único tremor de terra da história de Kratëas. O amargurado Thörek abriu a porta a de sua pequena cabana para verificar o que estava acontecendo, e ficou atônito ao descobrir que choviam laranjas. Pensou no quão bizarro era está situação e o quanto a vida parecia não fazer sentido. Mas foram pensamentos céleres, que logo se tornaram passado quando, literalmente, desabaram do céu toneladas e mais toneladas de laranjas, varrendo para sempre o pequeno vilarejo do mapa e pondo fim à existência de seus pacatos moradores. FIM
sexta-feira, 9 de julho de 2010
O guarda-chuva

Sexta-feira. A chuva caia pesada. O velho guarda-chuva preto aberto, com sua velha estrutura aleijada, servia pela penúltima vez em sua função. Foram praticamente dois anos de parceria, uma verdadeira eternidade para um item que, historicamente, some tão facilmente quanto quebra. Dois anos aninhado junto a minha mochila, praticamente em ostracismo durante a maior parte do tempo. Mas sempre que foi preciso ele estava lá, enfrentando chuviscos e tempestades. Vai me acompanhando pela penúltima vez, na última subida da lomba. Comprado por cinco reais em um camelô. Um rápido escambo e o guarda-chuva já era aberto para sua estreia. Dois anos atrás, época de agitação, trabalho novo, novas decisões. Tempos muito diferentes, ambições muito diferentes. O mundo louco sempre girando, mas alheio a tudo o guarda-chuva estava lá. Pela penúltima vez hoje, o guarda-chuva me acompanhava até a entrada do trabalho...
... deixo o prédio da Assembleia Legislativa. Após dois anos, me despeço da rotina, novos caminhos me aguardam. Agora são apenas velhas lembranças, nostalgia. Sonhos que ficaram pelo caminho, outros que se concretizaram. A vida segue, sempre. E a chuva também segue, para o último esforço do guarda-chuva. Com dificuldade ele se abre, uma estrutura moribunda, judiada. O pequeno guarda-chuvas, pequeno guerreiro negro, o menor de todos, comprado porque ocupava pouco espaço. Acompanhando minhas pesadas passadas lomba abaixo, seus últimos momentos em minhas mãos. Chego no carro que deixarei para trás, na cidade que deixarei para trás, com as lembranças que não deixarei para trás. Fecho o guarda-chuva que deixarei para trás, o coloco delicadamente no parapeito de um prédio próximo. Seu destino não está mais em minhas mãos, sem despedidas, nunca mais. Nunca mais...
terça-feira, 6 de julho de 2010
doido mar

Ahhh, agora eu vou indo surfar
Vou remando nos sonhos e tempos
Emergindo do mar
Ahhh, essas loucas loucuras que vem
Florescendo em espumas douradas
Colorindo o mar
Ahhh, firmamento do céu se soltou
Derreteu cada nuvem rosada
Divertindo meu mar
Ahhh, toda desilusão é mentira
Toda a preocupação é mentira
Verdades só no mar
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Os bravos e sofridos pigmeus

Estima-se que há entre 250.000 e 600.000 pigmeus vivendo nas florestas tropicais do Congo. Os mais famosos são os Mbuti, grupo onde os homens adultos crescem no máximo até 1,50 m de altura. Reza a lenda que os pigmeus primordiais eram um povo muito alto, que facilmente passava de 2,20 m na media de altura. Este povo teria sido atingido por uma maldição, evocada há quase 5000 anos atrás pelos ancestrais do povo Banto, que os obrigou a viver nas densas profundezas das florestas equatoriaias do Congo. Após viverem mais de 3000 anos sem poder ver a luz do sol, quando findada a maldição passaram a ter uma estatura muito baixa, e tiveram seu nome mudado para pigmeus (termo pejorativo na língua dos bantos). Já explicações mais científicas para a baixa estatura dos pigmeus incluem a falta de alimentos no ambiente equatorial, os baixos níveis de cálcio no solo, a necessidade de se mover através da densa floresta, a adaptação ao calor e à umidade extremos e, mais recentemente, uma associação com a rápida maturação reprodutiva em condições de mortalidade precoce.
Enquanto para o negro em geral a selva é uma madrasta perigosa, para os Pigmeu é uma mãe amorosa que os acolhe, nutre e protege. Dela eles recebem o material para construir suas cabanas, a madeira para seus arcos e flechas e o alimento cotidiano. Hoje, como no passado, a sorte dos Pigmeu está ligada à selva. Fora dela, sua cultura e sua vida se perdem. Mas ultimamente o seu meio ambiente está sendo cada vez mais modificado e deteriorado pela ação humana na extração de madeira, em plantações de café e minas de ouro e diamantes.
A estrutura social dos Pigmeu é muito precisa, e há uma nítida divisão sexual do trabalho. As mulheres recolhem na selva tubérculos, fungos, larvas e cogumelos. A pesca, que só acontece na estação seca, é reservada às mulheres e crianças. Já a caça é atividade exclusivamente masculina e se constitui num momento mágico na vida da comunidade pigméia. Os homens se preparam para sair à caça se abstendo das relações sexuais e evitando toda forma de "ofensa" à comunidade. Antes de partirem, há cerimônias de purificação e propiciação.
Por viverem na floresta tropical escura, quente e úmida, os Pigmeus encontram na coleta e na caça suas formas básicas de subsistência. Não acumulam alimentos nem bens naturais e vivem daquilo que a natureza lhes oferece. Mas nem sempre contam com o suficiente para atender às necessidades mínimas, e por isso eventualmente passam por longos períodos de fome. Como os demais povos caçadores da África, nunca se interessaram nem pela agricultura nem pela criação de gado. O único animal doméstico que costumam ter é o cachorro. A mulher é muito respeitada na sociedade pigméia, e a monogamia é uma tradição tão firme que chega a ser difícil aos estudiosos explicá-la.
Não é fácil falar da religião dos Pigmeus, porque eles não costumam expressar suas crenças com ritos externos e, além disso, a religião dos diferentes grupos não é uniforme. Geralmente, crêem num Ser Supremo criador, que se personifica no deus da selva, do céu e do além. Crêem ainda que as almas dos bons se convertem em estrelas do firmamento, enquanto as almas dos maus são condenadas a vagar eternamente pela selva e dão origem às doenças dos humanos. Os Pigmeus acreditam também na vida além da morte, mas não se estendem muito sobre o assunto, logo se esquecendo das tumbas de seus antepassados. Todas as noites, este povo costuma se reunir em danças coletivas e jogos mímicos, que são suas atividades preferidas nas horas de lazer.
O Pigmeu africano sofre preconceito e opressão de outros grupos étnicos, sendo o mais brutal o canibalismo dos opressores Bantos. Por gerações o povo foi caçado e literalmente consumido, considerado como uma sub-espécie inferior. Há uma crença entre alguns povos bantos que diz que, se você encontra um pigmeu sozinho na floresta, você deve estuprá-lo até a morte. Após sua morte, o pigmeu deve ser assado, e sua cabeça devorada pelo "caçador". Deve-se também cortar o resto do corpo do pigmeu e distribuí-lo entre os habitantes da aldeia, pois esta ação trará boa sorte e boa colheita para a tribo.
Além disso, na República do Congo, onde pigmeus representam de 5 a 10% da população, muitos pigmeus vivem como escravos de mestres Bantos. A nação está profundamente dividida entre estes dois grupos étnicos. Os pigmeus escravos pertencem desde o nascimento até à sua morte aos mestres Bantos, em um relacionamento que os Bantos chamam de "honrada tradição". Chegam a ser considerados parte do seu patrimônio familiar e, como tais, são transmitidos como herança de geração em geração.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Não é nada, mas...

.... ontem assistia televisão enquanto esperava o microondas aquecer meu almoço. Estava sozinho em casa. De repente, escuto no jardim um estranho barulho. Um nítido e seco barulho, de madeira se partindo. Dois segundos depois, o telefone toca. Me levanto para atender. Quando levo o telefone ao ouvido, a única coisa que ouço é o sinal de ocupado. Recoloco o aparelho no gancho e, neste exato momento, o microondas apita. Me dirijo até a cozinha. Tiro meu prato do microondas e pego um copo. Por algum motivo, o copo escorrega da minha mão, estilhaçando-se pelo chão. Então, o telefone toca novamente. Atendo, ouço a voz de uma velha:
- Alô? Por favor, eu poderia falar com a Maria da Graça? Sou uma velha amiga dela
- Bom, lamento lhe informar senhora, mas ela faleceu. Já fazem dois anos. Sou o neto dela.
- Oh, verdade? Que pena, era uma boa alma. Nos conhecemos muito tempo atrás, porém nos últimos anos havíamos perdido contato. Mas ontem tive um sonho estranho, onde a Graça aparecia me pedindo ajuda, então resolvi ligar para falar com ela, saber se estava tudo bem. Este é um dos problemas em se ficar velho, os amigos se vão e sentimos que a nossa hora está cada vez mais próxima. Enfim, meus pêsames por sua avó e obrigado pela atenção. Até logo.
Recoloco o telefone no gancho. Um sombrio arrepio corre por minha espinha. No jardim, o estranho barulho de madeira partindo se repete. Vou até lá para verificar. Mas não há ninguém, apenas uma leve brisa soprando...
The bizarre ballad of Lou and Angie

Well, the hall was all over hot
Lou throw his girl against the wall
she ain't got anyone to call
and Angie thinks, jeez, what i can do now?
The fire burning in fireplace
and burning too in his bloody eyes
the rain will falling with all the lies
she really knew how he would act tonight
Because the life is good, life is good
because the life is good to me and you
because the life is good, life is good
because the life is good to me and you
So when Lou raises his loaded gun
pulls the trigger until his forces gone
and Angie, exploding, there's nowhere to run
because that gun can stop the time tonight
And it's all over at three o'clock
Lou, so tired, smiles and makes one stop
he smokes his herb while Angie goes
singing his last song and falls into the couch
Because the life is good, life is good
because the life is good to me and you
because the life is good, life is good
because the life is good to me and you
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Aniversário

Um ano deste famigerado blog. Muito legal. Gosto de todos vocês, mas principalmente os sycoraxianos de Urano, que sempre foram solícitos quando requisitei abrigo em suas tranquilas terras isentaS de gravidade. Desejo que neste ano vindouro todas as pestilências sejam enviadas para a província voadora de Askarbon, e que uma vez por lá sejam responsáveis pela derrocata da poderosa orda de mega-gafanhotos tocadores de oboé e seu macabro reinado de copofragia mental. Nestes últimos séculos tenho profetizado que a Europa Oriental será o berço onde surgirá o terceiro Anticristo, e hoje divulgo que Tamerlão me apareceu em sonhos afirmando que existem 93,4 % de chance de que a encarnação do Belzebu apareça especificamente na Eslovênia ou na Lituânia, sendo que muito provavelmente será manco, hermafrodita e descendente de Gengis Kahn (algo não muito surpreendente, já que uma em cada 200 pessoas no mundo tem descendência com o garanhão mongol). Para finalizar, espero que a matemática prove que os números do futuro quântico não definem com confluência púnica as generalizações do passado despótico. Puskas
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Valentine's

Já faz um tempo
que eu tento pintar seu retrato
entre todas as cores do quarto
entre amor e abajures quebrados
eu tento mesmo
saber direito
dos teus desejos
Já faz um tempo
que as estrelas cairam do céu
e teus olhos dourados de lua
iluminaram
todos os cantos
deste meu mundo
em um segundo
Fico atento
a tigreza pulando os telhados
e a alegria estufando meu peito
vai se espalhando
em sintonia
com a sinfonia
dos longos beijos
dos teus segredos
E quando o tempo
Passar depressa querendo voar
nossos sonhos marcados no mar
nunca se esqueça
que teu sorriso
é poesia
minha menina
doce Luiza
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Lago Baikal

Situado na parte sul da Sibéria Russa, o Lago Baikal, que em russo significa “Lago Rico”, é o lago mais profundo do mundo, com mais de 1600 metros de profundidade. É o sexto em tamanho, com uma área de superfície de 31722 km². É considerado o lago de água potável mais volumoso do mundo, com cerca de 20% da água doce do planeta ali disposta. Estima-se que para encher o Baikal em seu volume atual, seriam necessários que todos os rios da Terra desaguassem nele por pelo menos um ano. São estimados 262 bilhões de litros de água, suficiente para saciar a sede de toda a humanidade pelos próximos 40 anos, e que durante o inverno ficam cobertas numa gigantesca e grossa camada de gelo.

O título de Patrimônio da Humanidade foi concedido pela UNESCO em 1996. Formado há 25milhões de anos, o Baikal é o lago mais antigo do mundo. Chega a ter 636 quilômetros de comprimento e 79 quilômetros de largura, com uma profundidade média de 745 metros. Números geográficos não são os únicos impressionantes, o Lago Baikal ainda possui um dos ecossistemas mais ricos do planeta, é lar de mais de 2600 espécies de animais e vegetais, sendo que mais de 60% destas são endêmicas, ou seja, só se desenvolvem no local. Animais como as nerpas, ou focas-de-baikal uma das menores espécies de focas do mundo. Uma popular forma vertebrada de vida na região do lago são os peixes do gênero Comephorus, que possuem até 20 centímetros de tamanho e são facilmente identificados por terem um corpo translúcido, isto é, os órgãos internos ficam expostos a vista. Peixes da família do esturjão, cujas ovas são a matéria-prima necessária para a produção do caviar, encontram-se em abundância no Baikal, existindo inclusive uma espécie endêmica, o estujão-de-baikal, ameaçado de extinção por seu grande tamanho: não são raros os espécimes que ultrapassam os 125quilos de peso. Na orla do lago, os animais mais comuns são os cervos e os ursos.

Gigantescas linhas de falhas da crosta terrestre marcam o centro do Continente Asiático. Quando, há 80 milhões de anos, tremendos solavancos e terremotos dilataram as falhas, uma porção da crosta terrestre caiu, formando um profundo abismo de lados escarpados. O Lago Baikal foi formado sobre este rifte e mesmo sua parte mais profunda está a 1200 metros acima do nível do mar, fazendo deste o rifte mais profundo da Terra. Algo como uma espécie de açude monumental enchendo de água a enorme cadeia de montanhas no entorno do lago. O Baikal é alimentado por 330 rios, entretanto, apenas um rio nasce dele, o Angara, com 1800 quilômetros de extensão.
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