sábado, 17 de setembro de 2011

Lago Karachay: O lugar mais poluído do mundo


Lago Karachay é um pequeno lago situado no sul dos Montes Urais, no oeste da Rússia. Karachay é considerado o lago mais poluído do planeta.

A partir de 1951, a União Soviética passou a utilizar o lago como repositório de resíduos radioativos da Mayak, uma instalação de reprocessamento e armazenagem de lixo tóxico situada próxima à cidade de Oziorsk (então chamada de Cheliabinsk-40).

A partir da década de 1960, o Karachay passou por uma grande seca, sua área diminuindo de 0.5 km² em 1951 para 0.15 km² no final de 1966. Em 1968, após um período de estiagem na região, o vento dispersou a poeira radioativa da área seca do lago, contaminando meio milhão de pessoas.

Entre 1978 e 1986, o lago foi preenchido com mais de 10,000 blocos de concreto oco para evitar o deslocamento de sedimentos radioativos.

De acordo com o Worldwatch Institute, Karachay é o lugar mais poluído da Terra. O lago acumulou em torno de 4.44 exabequereis (EBq) de radioatividade. Em termos comparativos, o desastre de Chernobyl dispersou entre 5 e 12 EBq de radioatividade. Mas, ao contrário do lago, a contaminação de Chernobyl não ficou concentrada em um só local.

Em 1990, o nível de radiação na margem do Karachai era de 600 röntgens por hora, o suficiente para envenenar mortalmente um ser humano em apenas uma hora. Os cientistas ainda não sabem se um dia será possível descontaminar o Karachay.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Charles Bukowski


Charles Bukowski, born in 1920, began writing at a young age and was first published in the 1940s. Then Bukowksi gave up writing for the world of work and bars, not publishing, not writing, so the myth goes, for nearly twenty years. Ten of those years were spent roaming from odd job to odd roominghouse from the East coast to the West. The other ten years, Bukowski worked for the United States Postal Service in Los Angeles, a job that took no effort except for the strength to show up and the patience to perform mindless operations. During that time, his life bordered on insanity and death, two prevalent themes in his writing. According to his own myth making, Bukowski returned to writing the day that he quit the Postal Service, but his bibliography shows that indeed, he had been publishing several years before that.



Freedom


he drank wine all night of the
28th, and he kept thinking of her:
the way she walked and talked and loved
the way she told him things that seemed true
but were not, and he knew the color of each
of her dresses
and her shoes-he knew the stock and curve of
each heel
as well as the leg shaped by it.

and she was out again and when he came home,and
she'd come back with that special stink again,
and she did
she came in at 3 a.m in the morning
filthy like a dung eating swine
and
he took out a butchers knife
and she screamed
backing into the rooming house wall
still pretty somehow
in spite of love's reek
and he finished the glass of wine.

that yellow dress
his favorite
and she screamed again.

and he took up the knife
and unhooked his belt
and tore away the cloth before her
and cut off his balls.

and carried them in his hands
like apricots
and flushed them down the
toilet bowl
and she kept screaming
as the room became red

GOD O GOD!
WHAT HAVE YOU DONE?

and he sat there holding 3 towels
between his legs
no caring now whether she left or
stayed
wore yellow or green or
anything at all.

and one hand holding and one hand
lifting he poured
another wine

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Importantes considerações e uma moral em cinco minutos


Vou passar os próximos cinco minutos falando sobre a falta de perspectiva das linhas. Adjetivos como galos, maçãs, falanges, derrotas, bronquite e parealelepípeto podem ser referidos. Vacas que bebem conhaque poderão sofrer severas mutações, criar guelras e sair caçando andorinhas pelos ares. Vacas com guelras tem excelentes perspectivas voadoras e são vorazes carnívoras. Já Platão desafiará sua República instaurando o caos nas docas do Valhala, através de um bombardeio de cogumelos indonésios que douraram no último verão. Isso causará grande agito entre os polvos gigantes do Mediterrâneo, que montarão em seus ornitorrincos de caça para enfrentar a milícia platônica. Mas, ainda assim, um bom desodorante de alho poró poderá estabilizar os cavacos suecos, além de fechar os olhos daqueles que vêem o que é visto pelos pêlos vistosos dos torpores desalentados. Digo isso pois penso que, sem a sensibilidade dos hormônios lúdicos, toda a criação vira pirilampo. Ora, não existe dormência maior que a doçura da manteiga sem sal, isso não é novidade. Não entendo qual a razão para as pessoas fazerem tanta confusão com as palavras, são todas belas e coerentes...

Moral da história: O preço dos carros depende da graça dos macacos que o habitam

sábado, 3 de setembro de 2011

Descontrários


Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

(de Paulo Leminski)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Escrevendo


Hoje acordei no meio da noite de novo, pensativo demais para dormir. Quer dizer, não cheguei a dormir nem nada, só fiquei com os olhos fechados e tal, pensando na vida. É foda isso, dai tive que me levantar para fumar um cigarro. Sai da cama, abri a porta da sala e ouvi um suspiro da minha cadela, a Hanna. Ela sempre dorme bem dondoca em cima de um dos sofás, enrolada em um cobertor. Sempre me sinto meio mal quando acordo na madrugada e interrompo o sono dela.
Fico imaginando o que deve ser um sonho da Hanna, correndo num campo gigante atrás de um gato qualquer, ou se esbaldando com os restos de um xis que ela achou numa lata de lixo. Sei lá. De qualquer modo ela devia estar relaxada pra caralho, porque geralmente a Hanna se levanta e faz toda uma festinha quando eu acordo no meio da noite, abanando o rabo e pedindo um xamego, mas hoje ela ficou lá, deitada mesmo. Na boa que as vezes sinto a Hanna meio deprimida, e penso que o que tá faltando para ela é uma boa trepada. Por que ela foi castrada e tudo, mas mesmo assim deve sentir fala de sexo. Enfim, como meus cigarros tinham acabado, peguei o maço e o isqueiro do meu pai e abri a porta dos fundos que dava para a rua.
A noite estava bem agradável até, mas não dava para ver nada no céu por causa de uma baita neblina. Acendi o cigarro e fiquei curtido a quietude da madrugada, sem viva alma passando por perto, a única coisa que se ouvia era um grilo perdido. Gosto quando sou a única pessoa na rua, por alguma razão me sinto especial, como se só eu tivesse aproveitando aquele momento de interação com o resto das coisas, enquanto todos os outros estavam perdendo tempo dormindo ou enfurnados entre quatro paredes fazendo qualquer coisa. Na real algumas dessas pessoas podiam estar se fodendo, literalmente, e esses eu aprovo, porque talvez estejam apreciando mais o seu tempo que eu. Mesmo assim, o meu momento na rua fumando parecia estar com boas vibrações, simplesmente me sentia bem.
Sei lá, ultimamente nem sempre tenho gostado muito de estar com pessoas, não consigo entender por que elas são tão felizes com tudo enquanto o mundo tá cada vez mais sem sentido e cheio de cretinice. Mas não é sempre também, quer dizer, a gente precisa de pessoas a nossa volta, conversar sobre o que quer que seja, compartilhar e todo esse papo. E o mundo quase sempre é legal e tal, só que as vezes me dá nos nervos . Mas fico imaginando que, se acontecece alguma loucura, uma sequência de catástrofes naturais se espalhasse pelo mundo e 90% das pessoas morressem nessa história, não ia ser um negócio tão ruim. Se eu sobrevivesse, é claro, para ver como tudo ia ser diferente. Certo que os valores iam ser outros, ninguém ia ficar tão maluco correndo atrás de dinheiro, ia ser um mundo mais solidário para se viver, pode ter certeza. Mas isso é só um devaneio mesmo, por enquanto.
Quando vi apareceu o Pincel, um dos cachorros de rua que dormem perto da minha casa, caminhando em minha direção. Ele se aproximou e ficou lá, abanando o rabo e olhando pra mim todo feliz. Dai fiz um carinho nele, porque achei que o bicho merecia, tava ali no meu lado fazendo companhia sem pedir nada, e ficava todo alegre só de eu dar uma atenção para ele. Nisso o cigarro já tinha acabado e acendi outro. Odeio esses cigarros industrializados do Brasil, primeiro poque parece que dá para sentir o gosto da caralhada de produtos quimicos venenosos que tem dentro dele, e segundo porque são ridiculamente curtos. Quando eu tava na Nova Zelândia fumava aqueles cigarros de enrolar, um fumo de qualidade, e que o cara botava tanto tabaco dentro quanto quisesse. Dava para enrolar uma bomba e ficar uns 20 minutos fumando só um, sem mentira. Fora toda a preparação para enrolar o cigarro, isso tem um certo charme na minha opinião, é um esforço pelas tragadas.
Não sei porquê, mas isso me lembrou de sexo. Talvez porque realmente seja tão bom fumar depois de uma boa trepada, sei lá. O caso é que comecei a ficar com tesão e pensar em uma guria que eu tinha visto num filme grego, Kinodontas, que tinha uma família completamente demente. Resumindo o troço, na história o pai tinha alguma paranóia e nunca deixava os filhos nem a mulher saírem de casa, nunca mesmo. Depois criava um monte de histórias completamente nonsense, dizendo que o mundo fora da casa era sinônimo de morte e criava regras pra tudo, como um ditador e tal. O resto da família era louco de prender em poste, do tipo masoquistas cerebrais mesmo, e por isso acreditavam nas baboseiras que ele dizia.
Mas a cena que me veio a cabeça foi uma em que o pai colocou o filho e a filha para transarem, porque o guri era homem e tal e precisava de sexo. Muita gente pode pensar que isso é um negócio bem grotesco, dois irmãos se comendo, mas como eu não tenho irmã e minha mente não tem muito pudor, a cena me deixou bem tesudo na real. Principalmente porque era uma cena de sexo verdadeira, os atores tavam se fodendo literalmente no filme, caralho na xana e tudo mais. E isso que não era nenhum pornô, só um filme bem alternativo, por isso fiquei tão impressionado com a coisa toda, ainda mais porque a guria que fazia o papel da irmã era bem gostosinha. Mas dai quando percebi minha situação já fiquei deprimido para burro, porque tava sozinho fumando a porra de um cigarro na madrugada.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Javalis da Ramelônia


Conheci a Ramelônia, lugar onde pude uma ter contato com uma interessantes comunidades de mamíferos atômicos. Não mais que uns poucos javalis dóceis, com seus dedos em riste apontando para o Céu , chafurdando em seu estrume inglório. Viviam em choupanas de palha, em ambiente tão fétido quanto eles próprios. Desdenhavam a forma de vida de seus proeminentes vizinhos, os Castelugos, nobres esquilos de ideais ternos e ponderados, que chupavam as tetas da mãe terra, suavemente mordiscando os mamilos. Os estranhos suínos riam da vida de despreocupação e tranqüilidade dos serelepes esquilos, que morriam velhos e em paz espiritual. Estes javalis da Ramelônia acreditavam que o caos é o caminho para a morte, e que a morte é o melhor caminho para virar bosta. Por isso lutavam para apressar a morte,enfiando seus narizes e bocas o mais profundamente possível em sua merda, buscando o tesão na essência de suas fezes. Mas não matavam uns aos outros, eram apenas solidários na busca por caminhos que conduzissem ao fim da vida. Reproduziam-se porque acreditavam que novas levas de ramelônios haviam de surgir, para que lhes fosse ensinado o valor da bosta, e o quanto a sua própria existência era suja. Eram seguidores de certa teoria proferida por seu grande pensador, um tal Sarta Purga Purga, há mais de 20 gerações suínas atrás. Dizia Purga Purga que "mais vale uma vida de merda que uma reflexão dos confrontos das conferências semióticas do desconstrutivismo demagogo". E jamais tão desafiantes palavras voltaram a ser pronunciadas por qualquer outro ramelônio. O sentido das palavras era desconhecido, trazia o medo,e por isso a expressão era respeitada em caráter absoluto pelos sôfregos animais. E quando a morte chegava, breve para os de sorte, os suínos devoravam o defunto para ingerir suas impurezas, acelerando o caminho até a bosta, e levando ao estágio seguinte.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dos desamores


Não, em palavras pouco se diz
Temo as loucas paixões
Que não se fazem entender
Quero escapar das ilusões
Dos falsos amores perdidos
Do tempo, mentiras e sonhos,
Somente vivos em memórias
Moribundas

Busco então desamores
De suaves imperfeições,
De olhares indecisos
E esperanças vãs
Que não busquem o lirismo dos poemas
Mas a quietude do silêncio
Compartilhando eternamente,
Sem certezas,
O que a alma não percebe
Mas traduz em beleza

sábado, 6 de agosto de 2011

Amy Winehouse e a maldição dos 27


*publicado no jornal A FOLHA



No dia 23 de julho, o mundo deu adeus a cantora Amy Winehouse. A inglesa morre para se tornar uma mártir, ícone de uma juventude rebelde e confusa. Uma artista ousada, polêmica, com sua voz indiscutivelmente marcante, uma diva do jazz branca. Mas para os fãs do rock, uma constatação que volta a roda é irresistível de ser debatida: mais um gênio da música pop que se vai aos 27 anos de idade, bem como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e Kurt Cobain. A mídia já coloca Amy Winehouse neste rol de notáveis. Mas seria realmente justo alinhar Amy com tão marcantes nomes? Bem, vou tentar, humildimente, expressar um pouco sobre o que penso (e o que a história conta) sobre estes ícones que marcaram gerações pela genialidade, abusos e polêmicas.

Jimi Hendrix



Quatro deles (Hendrix, Joplin, Morrison e Jones) marcaram o rock dos anos 60, fase da verdadeira revolução musical, da genialidade criativa que abriu as portas para quase tudo que virou têndencia para música pop em todas as gerações posteriores (na minha opinião, pelo menos). Jimi Hendrix praticamente dispensa comentários. Frequentimente considerado o maior guitarrista de todos os tempos, personificava seu instrumento de uma maneira nunca antes vista, quase mágica. Amplificadores distorcidos, abuso nos efeitos e o pedal wah-wah, que Hendrix tratou de popularizar, faziam com que sua guitarra psicodélica parecesse cantar em conjunto com sua voz espacial. Muito das raizes da música eletrônica se viram quase que premonidas em Jimi. O ícone da sociedade hippie, se vestia como que preparado para uma multicolorida guerra de sons, desafiando um sistema conformista com a qual não concordava. Ele dizia que "o inefável prazer de viver não se experimenta, enquanto não começamos a olhar nossa vida como principal dos trabalhos que devemos empreender". Hendrix exaltava a loucura, vivia espontaneamente, não ligava para os excessos, inclusive no consumo de drogas. A despeito disso, era um perfeccionista notório, buscava tirar o máximo de si mesmo em cada uma das suas inúmeras gravações e apresentações.

Grande estrela do festival de Woodstook em 69, protagonizou neste espetáculo aquele que talvez seja o grande momento da música pop contemporânea. Sua guitarra como uma metralhadora, a execução quase totalmente improvisada (e regada por altas doses de LSD) é descrita por muitos como a declaração da inquietude de uma geração sedenta por mudanças na sociedade, e por outros como uma gozação antiamericana, estranhamente simbólica da beleza, espontaneidade e tragédia que estavam embutidas na vida de Hendrix. Enfim, realmente não me sinto confortável tentando explicar Hendrix em tão poucas palavras, não é justo. Ele foi encontrado morto no apartamento de uma namorada, asfixiado pelo próprio vômito após uma suposta overdose de calmantes.


Brian Jones




Muitas pessoas cultuam os Rolling Stones como uma das grandes bandas de todos os tempos, um marco da rebeldia e vitalidade musical. Difusores dos ideais de "foda-se o que o mundo diz, eu vou ser do meu jeito", viraram símbolo do popular jargão "sexo, drogas e rock'n roll". Enfim, os Rolling Stones são dos dinossauros mais arrepiantes do rock, e ainda que seja inegável o protagonismo de Mick Jaeger e Keith Smith nessa história, nada disso teria acontecido se não fosse Brian Jones. Foi Jones que começou com tudo em 62, ao chamar Keith e Jaeger para formarem uma banda, e foi dele a idéia do nome, Rolling Stones, baseado em uma canção do gênio do blues Muddy Waters. Embora não tivesse o brilhantismo para compos canções como seus parceiros de banda, Brian era conhecido pela sua versatilidade musical, tocando vários instrumentos diferentes, ainda que se tenha notabilizado como guitarrista. Sua extravagância musical fez com que os Stones se diferenciassem, e ajudou a formar o estilo musical que vigorou com a banda, incorporando no rock desde a gaita de boca até a cítara indiana, xilofone, harpa, acordeon e banjo. Mas Brian Jones pouco a pouco foi perdendo espaço dentro dos Rolling Stones devido aos seus excessos com as drogas, até ser definitivamente afastado em 1969. Menos de um mês depois, Brian foi encontrado afogado na piscina de sua casa, em circunstâncias que até hoje não ficaram esclarecidas.

Janis Joplin




Chamada de rainha do rock'n roll, dona de vocais tão roucos e estridentes que expressavam aos berros a paixão, o não-conformismo e o sofrimento de uma mulher atormentada pelo tradicionalismo de uma sociedade careta. Janis Joplin proclamava em suas canções o amor por uma vida fulminante, estabelecia suas próprias regras, e tornou-se simbolo da liberdade feminina que vinha sendo conquistada nos anos 60."É melhor viver dez anos de uma vida efervescente do que morrer aos setenta e ter passado a vida assistindo TV", já dizia Janis. E se hoje Amy Winehouse é cultuada, deve muito disso ao mito que Janis Joplin foi. Sua música foi movida pela mistura de vários generos, incorporando corajosamente o soul, o blues e o folk ao movimento do rock psicodélico. Cantava a dor, as perdas e a sensualidade como só uma mulher poderia fazer. Sua vida sempre foi marcada pelos abusos de álcool e drogas, o que retardaria o seu sucesso por alguns anos.

Janis se incorporou a famosa comunidade hippie de Haight-Ashbury, na Califórnia, e alcançou o sucesso em definitivo em 1968, com o álbum "Cheap Trills", que contava com uma de suas canções de maior sucesso, "Piece of My Heart". Mas Janis Joplin nunca se sentia satisfeita, passava de banda em banda em busca de liberdade musical e uma sintonia perfeita. A cantora fez exibições marcantes no badalado Festival pop de Monterrey e em Woodstook. Janis também esteve no Brasil em 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada por aqui, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa. Foi encontrou morta em um quarto de hotel de Los Angeles, vítima de overdose de heroína combinada com efeitos do álcool, pouco antes de finalizar seu álbum "Pearl".

Jim Morrison



Jim Morrison foi um enigma indecifrável, e tornou-se um mito comportamental que supera gerações. Lider da emblemática banda de rock psicodélico The Doors, ele cantava o misticismo, a estranheza em relação ao mundo e a espera pela morte, ao mesmo tempo que se incendiava no palco por uma paixão alucinada pela vida. Morrison era um fascinado pelas sensações e energias do mundo, um rebelde-intelectual-curioso que buscava expandir ao máximo as diferentes possibilidades de percepções sobre a vida. Formado em cinema, devorador de livros e poeta, sua voz grave de barítono e genialidade com as palavras o levaram a formar a banda em 1965, com seu colega (e monstro dos teclados) Ray Manzarek. Não demorou muito e o the Doors foi alçado ao sucesso, com aquele que até hoje é seu maior hit, "Light my Fire".

A banda ganhou reputação por suas performances ao vivo polémicas. Com a sua presença em palco e as calças justas, Morrison tornou-se um sex symbol, um poeta do sexo, embora depressa tenha se cansado desta condição de estrela. Com seu jeito despreocupado e poderoso de cantar, fazia de sua música um louco carnaval, que entretanto foi sendo marcada por sua crescente instabilidade. Morrison mostava o pênis durante shows, enfrentava bêbado e entorpecido a polícia no palco. Ele era um beberrão dos bons, virava garrafas de uísque como se fosse água, além de ter se envolvido com todo tipo de droga, principalmente o LSD. O ácido (bem como os chás alucinóginos), ele dizia, lhe abria diferente portas da percepção, realidades paralelas, lhe aproximava das diferentes sensações que pareciam dar a Morrison um sentido especial de existência. Mas Jim se sentia próximo da morte, como se tivesse esperando o seu momento de partir, profetizando poeticamente esses sentimento em canções como "The End". Morreu em Paris, dentro de uma banheira, supostamente por overdose de heroina, embora as circunstâncias de seu último suspiro sejam desconhecidas. Rumores indicam, inclusive, que Morrison teria forjado sua morte, para fugir dos holofortes e finalmente viver sua vida em paz, escrevendo sua poesia anônimo.

Kurt Cobain



Muito depois dos mágicos anos 60, com seus ideais de revolução, paz e amor e rebeldia de uma geração que ansiava por mudanças sociais e por uma existência mais livre, vieram os anos 90. E a sonhada liberdade veio, mas sufocada pelo crescimento de novos conceitos como globalização, capitalismo selvagem, divórcio, publicidade ostensiva, depressão. O mundo foi sendo conquistado pela televisão, a sociedade virava uma geleia muito complexa e polimorfa, cada vez mais burocratizada e estressada para ser entendida. A informação vinha em turbilhões muito grandes para ser digerida pela mente de uma geração de jovens que não encontravam seus rumos na vida, individualizados e amargurados pela própria confusão de suas mentes. Neste contexto, surge um fenômeno que cantava a desilusão com relação a essa novo panorama, baseado em valores tão distorcidos. Despontava Kurt Cobain, lider da banda Nirvana e precussor do movimento grunge nos Estados Unidos. Ele foi um dos principais ícones da quebra de fronteira entre o comercial e o alternativo na música, trazendo a popularidade do underground, mostrando de forma lírica o lado amargurado de uma geração carente de ídolos.

O Nirvana alcançou a fama de vez com seu segundo e antológico álbum, "Nevermind", que contava também com os hits de maior sucesso da banda, "Smell Like Teen Spirits" e "Come As You Are". Além do ritmo considerado barulhento e desleixado do grunge, uma fusão do punk rock com o indie e hardcore, a música de Cobain era minada de angústia e sarcasmo, reforçando assuntos como a alienação social, apatia, confinamento e desencantamento geral com o estado da sociedade. E a nova juventude transviada dos anos 90 se identificava com suas marcas de ironia, sarcasmo, revolta, desespero, sentimento de inferioridade e ao uso de drogas. Kurt abusava no consumo de heroína, e chegava a dizer que apenas o consumo da droga anulava as constantes dores de estômago que lhe afligiam. Ele também se sentia frequentemente perseguido pela mídia, que estaria mais interessado em falar de sua vida privada do que analisar as visões político-sociais que sua banda tocava. Cobain era uma voz de peso na luta contra a homofobia, o sexismo e o racismo. Mas o líder do Nirvana sentia o peso da fama, e dizia publicamente que não sabia como lidar com essa situação. No final de sua vida, sentia-se também impotente criativamente, deprimido e até assustado frente as pressões advindas de seu extrondoso sucesso. Sua agonia mental e paranóia decorrente do abuso de heroína finalmente culminaram em sua desistência pela vida. Kurt Cobain então se suicidou, em sua casa, com um tiro de espingarda na cabeça.


Amy Winehouse e uma conclusão para isso tudo...

Particularmente não gosto de comparações, acho que cada pessoa no mundo tem o seu papel que é único, uma essência própria e inimitável. Ainda assim, após a apresentação destes grandes nomes do rock, mortos na juventude de seus 27 anos, vale fazer uma análise, ao menos para tentar compreender todo o barulho causado pela morte de Amy Winehouse. Quais as razões que tornariam a cantora num ícone depois de morta?

Se os parâmetros forem número de discos, habilidade musical, criatividade ou quantidade de fãs, não encontramos nada de tão diferenciado em Amy Winehouse. A cantora lançou apenas dois álbuns, "Frank" e."Back to Black". Jimi Hendrix, por exemplo, a despeito de sua agitada agenda de shows, perfeccionismo e genialidade com a guitarra, produzia ainda música frenéticamente, e deixou mais de 300 gravações inéditas depois de morto. Tecnicamente, Amy era uma boa cantora, alcançava timbres realmente lindos, mas há outras divas com vozes mais potentes, devastadoras. A própria Janis Joplin era um monstro inquestionavel nesse quesito. Da mesma forma, Amy não era uma instrumentista qualificada, como Brian Jones, ou uma poeta enigmática e densa como Jim Morrison. Ainda dá para citar vários popstars muito mais populares. E, vale frisar, ter uma vida marcada pelo abusos astronômicos de drogas pesadas não é um ponto a ser vangloriado, representando no máximo a aceleração de uma sentença de morte (ainda que algumas drogas, se consumidas da maneira correta, possam realmente aguçar sensivelmente a capacidade criativa do artista).

Mas seria uma miopia avaliar a importância de Amy Winehouse apenas por esses critérios. É ingenuidade acreditar que música pop limita-se apenas à música. Pop é música, imagem, performance e, é claro, o que o artista faz e fala fora do palco. E, nesse sentido, Winehouse era uma popstar única deste século 21. Sua influência na música de hoje também é indiscutível. Ela capitaneou, no início dos anos 2000, uma revitalização da soul music. Foi seguida e copiada por um grande número de cantoras e cantores. Até mesmo gente reconhecida, que estava na estrada há mais tempo, como Beyoncé e Madonna, olharam com grande respeito para Amy Winehouse.

Vivemos uma era musical muito diferente dos anos 60, hoje os artistas que estão nos holofortes são cercados por uma manada de executivos de gravadoras, assessores, agentes, produtores de marketing. Vivem em uma bolha e se expõem calculadamente. Winehouse, não. Nunca se importou de ser simpática com jornalistas para ganhar elogios em reportagens e críticas. Não escondia seus vícios e atitudes e não se importava em ser constante vítima de patrulhamento moral. Colocava sua vida em canções como “Rehab”, “Back to Black”. Assim, o que cantava era algo real, palpável, e não uma abstração. Amy Winehouse não era uma popstar comum. Sim, em muitos de seus show ela aparecia completamente drogada, mal conseguia se manter em pé, se perdia constantemente nas canções. Mas Amy era genuína, algo raro no pop, e todos sabemos que, se ela não está bem no palco, a culpa não é a falta de talento.

Enfim, Jimi Hendrix, Brian Jones, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain. Todos eram realmente muito loucos, viviam suas vidas espontâneamente, eram ícones não só no quesito músical, mas também no comportamento, expressavam sua genialidade cada um a sua forma. Abusavam dos prazeres da vida, da paixão, dos medos, da liberdade, das drogas, da revolta. Todos estavam dispostos a extrapolar seu limite, aceitavam a confusão de suas almas mas mesmo assim mantinham-se genuínos até o final, ainda que este final tenha se dado de forma prematura. Por isso na minha opinião são martires sim, das incertezas, anseios e sonhos de suas gerações, e por isso seguem marcando a música até hoje... Mas e a Amy Winehouse, afinal de contas, pode se juntar a esse grupo tão bacana, esses sonhadores que morreram aos 27 anos? Pois digo que Amy é muito bem vinda sim (ou, pelo menos, tem o meu voto)!

sábado, 23 de julho de 2011

diálogos fumantes d'eu mesmo em movimento circular


- Pois é, acho que ia ser bom tu começar a conversar contigo mesmo. Tu não tá sempre reclamando que ninguêm te entende, que a vida no Brasil tá completamente maluca? E se tu tá tão quieto o tempo inteiro, porra, desse jeito pelo menos tu vai perdendo o medo de abrir a boca.

- Mas isso é muito louco mesmo, porquê antes era uma falação só, eu tava sempre dizendo pra mim mesmo calar a boca. E agora tá foda, eu começo a falar e as palavras saem todas meio toscas. Certo que eu tô no meio de um processo bizarro também, tipo, tentando mixar o que eu aprendi do inglês com o que eu sabia do português. Mas sei lá, sipá eu não tô falando muito porquê daí, pelo menos, eu reduzo as chances de dizer alguma merda né...

- Pode ser mesmo. Porquê tu é um cara inteligente e tal, mas tá sempre falando merda também. É melhor falar pouco e bem do que encher linguiça com baboseira. O negócio é aquela frescura toda de buscar o equilíbrio, mas tem que levar isso a sério também né, senão vira quase hipocrisia. Porque tu tá sempre dizendo pra todo mundo essa coisa do equilíbrio mas as vezes parece que tu é o cara mais desequilibrado do mundo.

- É uma bosta mesmo. Queria poder dizer para mim mesmo pra ser mais inteligente com essa situação, mas na real sou completamente confuso, parece impossível organizar tudo num cérebro tão fraquinho.

- Na verdade tu tá dizendo essa porra pra ti mesmo, né. Mas sei lá, talves porque dessa vez tu tá falando ao invés de só pensar pode ser que entre mais na mente. Ou pode ser que não também, mas foda-se isso, na boa.

- É. Mas na real o cara não pode perder a essência também. Foda-se o jeito que os outros querem que eu seja, eu não vou desistir de ser como eu quero. Claro que tem muita gente vendida que tá subindo na vida, gente que aceita virar cobaia do sistema e que fica feliz porque pode comprar uma caralhada de coisas que a tv diz pra comprar. Mas eu ainda resisto no meu mundo, porquê eu vejo um monte de coisa errada nesse país e não vou calar a boca até que eu diga o que eu penso.

- Chegou o revolucionário, o mártir! Vai te foder e te toca que tu não é nenhum Jesus Cristo, né, tu é um baita de um egocêntrico de porra, isso sim. Quer dizer, tem cretino muito pior do que tu, mas baixa essa bolinha que tu tem é que viver mais essa porra de vida e parar de reclamar. Não se lembra que tu dizia isso pra ti mesmo o tempo todo? A frase do Dylan lá, que a vida é uma piada e o negócio é dar risada e aproveitar. Então, te gruda nisso ao invés de ficar deprimido, com peninha de ti mesmo porquê o mundo não é perfeito.

- Ah, mas tu fala como se fosse o cara, né, como se fosse muito diferente de mim. Ou tu tá querendo se meter a esquizofrênico de novo. Na boa que tu curti esse negócio de parecer louco. É como se fosse um tesão pra ti tentar ser o mais estranho possível, mas o que tu ganha com isso? Fica fumando esses cigarros de merda, girando de um lado pro outro o tempo inteiro.

- Não, mas sinceramente, o negócio de girar tá funcionando. Sipá me ajuda a pensar melhor mesmo, sabe? Tem toda aquela coisa do círculo ser o formato perfeito, o movimento circular faz as rodas girarem, as naves giram no espaço, a terra gira em torno de si mesma e do sol, a lua também, os elétrons giram em torno do núcleo no átomo. Tem uma caralhada de coisas importantes que giram, isso é o que eu sei. Não me lembro se era o Einstein ou o Thomas Edison que ficava girando em circulos e dizia que ajudava a pensar. Talvez tenha até alguma explicação física pra isso, sei lá. Mas os cigarros são uma bosta mesmo, por mais que tenha aquela tontura boa, baixa de pressão e tal, não vale a pena se o cara comparar com a quantidade de merda que tá se botando pra dentro dos pulmões.

- Pois é, tu tem que parar com esses cigarros o quanto antes, depois o cara fica mais velho e viciado e fica cada vez mais difícil. Olha o que foi a vó, morreu quase que cuspindo o pulmão pra fora. Não é um jeito dos mais felizes de se morrer.

- Mas na real, tava pensando aqui, esse troço de eu querer tá sempre me parecendo com algum gênio é um negócio bem tosco mesmo. Como se eu tivesse no mesmo patamar de um Einstein ou um John Lennon da vida. Até parece, muita megalomania doentia mesmo. Sou só um toscão mais perdido do que variz em perna de mesa na real. Tenho que começar a focar mais os meus pensamentos, no mínimo, pra poder produzir alguma coisa mais decente do que tenho feito ultimamente.

- Sei lá, mas para de te estressar tanto com essa bosta toda, na boa que o cara não ganha nada com isso. Faz o melhor que tu puder e já era, se tu for bom mesmo algum dia vão reconhecer. E se isso não acontecer do jeito que tu quer também, que se foda, mas lembra do negócio do equilíbrio, tenta buscar a paz de espírito com o que tu tem. E agora cala a boca e apaga esse cigarro que já tá no filtro.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bem vindo, Sudão do Sul!


Com um olhar preocupante da comunidade internacional, nasceu o 193º país do planeta. No último sábado, dia 09 de julho de 2011, o Sudão do Sul proclamou-se independente. Esse evento põe fim a mais de 40 anos de guerra civil entre o norte e o sul do Sudão, num entrevero caótico de conflitos religiosos, étnicos e pelo abundante petróleo da região sul. O novo país africano partilhará com Somália e Afeganistão os piores indicadores sociais do mundo. A população local está em festa, esperançosa por mudanças, mas o Sudão do Sul terá imensos desafios pela frente. Infelizmente, sua história escrita pelo sangue de milhões é um exemplo de o quanto o ser-humano ainda é capaz de se exterminar por conta das diferenças, ao invés de compreender que são as diferenças que fazem do planeta um lugar tão interessante.


Uma história de exploração e massacres

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até geograficamente. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais. No século VII, durante o período da expansão islâmica na África, o país foi tomado pelos muçulmanos. O sul escapou, no entanto sua população foi frequentemente explorada por caçadores de escravos. Nos séculos XIX e XX, o Sudão foi completamente dominado por egípcios e britânicos, apenas conseguindo alcançar sua plena libertação dos ingleses em 1956, durante a onda de descolonizações africanas. País dividido entre cristãos e muçulmanos, o Sudão é importante fonte de matérias primas estratégicas. Em função da proclamação da independência, iniciaram-se choques entre habitantes do Norte, árabes e islâmicos, e do Sul, predominantemente negros e não islâmicos.

Foram duas guerras civis entre o norte e o sul, com a parte sul sempre buscando maior autonomia regional em relação ao norte islâmico. Na Primeira Guerra Civil, meio milhão de pessoas morreram durante 17 anos de guerra, entre 1955 e 1972. A Segunda Guerra Civil Sudanesa foi ainda mais sangrenta. Ocorrida de 1983 a 2005, teve início quando o governo muçulmano do norte tentou impor a Charia (legislação islâmica baseada no Corão) em todo o país, inclusive no sul, onde a maioria da população é cristã e animista. O conflito deixou aproximadamente dois milhões de mortos e outros três milhões de refugiados.



Em 2005, 21 anos após deflagrada a guerra civil, foi assinado um Acordo Abrangente de Paz, que poria fim ao conflito e estabeleceria a paz entre os rebeldes do Sul e as forças governamentais e milícias do Norte. No entanto as agressões continuaram a ocorrer, apesar do sucesso das negociações, principalmente na Região de Darfur (ler próximo tópico). Em 2005, também foi assinada a Constituição do Sudão do Sul, que previa a realização de um plebiscito para decidir sobre a soberania do país ou sua permanência dentro do Sudão.

Em janeiro de 2011 o plebiscito foi realizado, e 99% da população local decidiu sobre a independência do Sul do Sudão em relação ao Norte. Na última sexta-feira (08), o presidente do Sudão, Omal Al-Bashir, reconheceu a independência do Sudão do Sul e a proclamação oficial finalmente ocorreu no sabado, dia 09 de julho de 2011. Apesar da independência, as fronteiras entre os dois países ainda não foram totalmente definidas.


O genocídio de Darfur

Concomitantemente, em meio a sangrenta guerra civil que dividiu o país entre muçulmanos e não muçulmanos, outro grave confronto eclodiu no Sudão por motivos políticos, e virou guerra entre árabes e negros. O conflito principiou em fevereiro de 2003, na região de Darfur, rica em petróleo, também no sul do país. O ponto de partida da ofensiva foram os rebeldes negros que lutam pela separação de seu território, afirmando que o governo a qual eram subordinados agia representando apenas a elite árabe. Darfur é composta quase totalmente por negros, com atividade econômica ligada à produção de agricultura de subsistência e uma restrita parcela de nômades que criam animais.O governo sudanês respondeu de forma violenta e repressora as ofensivas dos rebeldes separatistas. Apoiados pela milícia dos árabes que habitavam o local (chamados de janjaweed), o governo esperava acabar com os rebeldes que eram de religiões e etnias diferentes.

A mídia vem descrevendo o conflito de Darfur como um caso de limpeza étnica e de genocídio. Há acusações de violações dos direitos humanos, inclusive assassinatos em massa, saques e o estupro sistemático da população não-árabe do Darfur. A maioria das ONGs trabalha com a estimativa de 400 000 mortes no confronto desde 2003. Têm sido assinados alguns acordos de paz entre as diferentes facções em conflito, mas estes nunca respeitados. Nem a presença no terreno de uma força de paz enviada pela ONU consegue manter a segurança, e o genocídio continua.

Atualmente o Sudão enfrenta uma severa crise humanitária. Todo o poder da nação está concentrado nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir, que está no comando desde um golpe militar em 1989. O presidente é acusado de patrocínio a crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Al-Bashir foi acusado de ter "planejado e implementado o extermínio" de três grupos tribais em Darfur por motivos étnicos.



O contexto do novo país

O Sudão do Sul nasce com um triste recorde: é o lugar no mundo onde mais morrem grávidas e recém-nascidos, além de quase 90% das mulheres serem analfabetas. A AIDS se espalha como epidemia. Levará muitos anos até que o Sudão do Sul possa deixar de depender da assistência internacional. Existe carência de tudo: hospitais, escolas, esgoto, iluminação, polícia. Ainda assim, as pessoas estão otimistas, pensam que a vida vai melhorar da noite para o dia com a independência, depois de décadas de guerra. Mas tamanho otimismo não ilustra bem a cruel realidade.

O fornecimento de água é administrado por empresas privadas através de caminhões tanque, que percorrem as cidades enchendo reservatórios particulares. Ao menos metade da população do país não tem acesso a água potável. A mobilidade é outra das carências do sul do Sudão. Fora da capital, Juba (que possui umas poucas ruas pavimentadas) não há mais que estradas de terra, o que dificulta o trabalho das ONGs que atendem os povoados. Nos últimos meses, começaram a retornar muitos dos refugiados que deixaram o país durante a guerra civil, e muitos outros seguirão chegando com a independência. O aumento da população pode acabar agravando a já frágil situação da região, que terá que se construir a partir do zero.

Vital para a construção do Sudão do Sul é superar a insegurança interna. Em 2011, ao menos 1.800 sul-sudaneses morreram e 150 mil foram deslocados após renovados conflitos na fronteira, segundo a ONU. Disputas por terras e reservas de petróleo nas regiões fronteiriças de ainda trazem instabilidade ao novo país. O sul abriga 80% do petróleo sudanês, mas depende das refinarias do norte para exportar. Os Estados Unidos são o principal ator internacional no país e investem em infraestrutura, para fazer frente à presença chinesa no norte. A ONU já aprovou uma força de paz para o Sudão do Sul, com 7.900 homens.

O Brasil saudou a independência do Sudão do Sul prontamente. O reconhecimento de Estado e de Governo do novo país pelo Brasil foi efetuado no mesmo dia, mediante o estabelecimento de relações diplomáticas. O país reiterou, ainda, sua disposição em cooperar e em auxiliar o novo país a alcançar seu pleno desenvolvimento. Assim seja!



*com informações dos sites Wikipédia, Estadão, Arca Universal, G1, BBC Brasil e Reuters

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Papa-Figo


O Papa-Figo é um mito popular que se espalhou por todo o Brasil, não se sabe ao certo quando. Seu nome é a contração de papa-fígado, sua principal característica. Lenda muito comum em todo meio rural nordestino, acredita-se que a intenção do conto era a de alertar as crianças para o contato com estranhos.

Em geral, o Papa-figo é descrito como um leproso idoso, muito sujo e feio, com o corpo coberto de chagas. Tez escura, boca podre e desdentada, grandes orelhas com os lóbulos crescidos e caídos, ele veste trapos mal-cheirosos e carrega um saco de estopa pendurado nas costas, onde carrega as crianças que captura.

Mas ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus capangas em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as crianças, distribuindo presentes, doces, dinheiro, brinquedos, comida, drogas (se levarmos pro contexto atual). Eles agem em qualquer lugar público, portas de escolas, parques e ruelas desertas. As vítimas arrebatadas então são levadas ao Papa-Figo, que lhes retira o fígado e o come.

Em tempos antigos, acreditava-se que a lepra, ou Mau de Hansen, era uma doença causada pelo mau funcionamento do fígado, órgão que, a crendice popular dizia, era o produtor do sangue. A cura estaria no consumo do órgão sadio. Mas somente o fígado infantil seria puro e forte o suficiente para aliviar o sofrimento dos hansenianos. E sempre haveria alguém disposto a pagar qualquer preço por tão poderoso e raro elixir. O Papa-Figo era, portanto, em algumas versões, o próprio doente em busca de cura ou, outras vezes, o encarregado de conseguir a mercadoria para tal tipo de comércio. Comer o fígado sadio para curar o fígado doente e determinar a formação de um sangue puro era idéia obstinada dos leprosos.

sábado, 18 de junho de 2011

Vazio


Me sinto perdido. Como se o mundo estivesse esperando de mim uma resposta que eu não conheço. Como se a Terra estivesse girando ao contrário, e eu fizesse parte de uma tribo as margens da extinção, um povo mais simples , sem muitas expectativas de se incorporar numa sociedade fundada em regras tão bizarras. Ouço os diferentes sons, observo as cores, as coisas de antes, o vento que muda de direção. Me sinto um estranho para mim mesmo, uma silhueta sem reflexo tentando entender o tempo que passou, fazendo um inventário de memórias para lembrar que a roda da vida não para. Preciso reprogramar meu cérebro para esta nova antiga realidade. A solidão me consome, sinto preguiça para buscar alternativas. Cada pequena ação parece uma epopéia, mas a história não tem um grande herói para sustentar o enredo. Acendo um cigarro por puro impulso, uma razão para passar o tempo, deixo a fumaça se espalhar pelo enorme quarto, tão grande que me sufoca. Com a liberdade acanhada, não se resta muito para expressar no final das contas. As frases são curtas, as palavras poucas.